Notícias
06/01/2017 - 11h43
Porto de Santos projeta crescimento na movimentação de cargas em 2017
Fonte: AssCom Codep
Para 2016 a expectativa é totalizar com 113,4 milhões t
Para 2016 a expectativa é totalizar com 113,4 milhões t

Em um ano de mudanças e desafios nos cenários nacional e mundial a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) desenvolveu ações para manter a posição do Porto de Santos como o principal complexo portuário da América Latina. São ações e projetos que permitem não somente o recorde da participação na balança comercial brasileira - mesmo em momento de retração econômica -, mas também a preparação do Porto para ser “não somente o maior, mas o melhor porto para se operar”, afirma o diretor-presidente da empresa José Alex Oliva.
Além das atribuições da Autoridade Portuária, a gestão da Codesp sob a atual diretoria está voltada para o fortalecimento da relação porto-cidade. “O Porto está dentro da cidade e a cidade fica junto ao Porto, então é importante que haja uma interação maior entre a cidade e porto em todos os seus aspectos, seja social, cultural, esportivo e ambiental”, explica o presidente.
Focada na qualidade de vida da região, a Autoridade Portuária, em uma de suas primeiras ações do ano, participou, em fevereiro, da mobilização nacional de combate ao mosquito Aedes Aegypti, transmissor das doenças dengue, zika e chikungunya. O presidente Alex Oliva destacou a importância da parceria entre porto e cidade, que estabeleceu um rigoroso programa de monitoramento e controle, com um balanço muito positivo de ações promovidas na região do porto e seu entorno.
A ação da Companhia Docas para fortalecer a relação Porto-cidades também foi marcada pelo apoio às entidades da região. “Os projetos sociais que valorizem a Baixada Santista terão um tratamento carinhoso por parte da Codesp” disse Alex Oliva. A empresa destinou parte do seu Imposto de Renda para fundos sociais assistenciais da região. Foram contemplados o Fundo Estadual do Idoso de São Paulo e os Fundos Municipais do Direito da Criança e do Adolescente (FMDCA) das cidades de Santos, São Vicente, Guarujá, Cubatão e Bertioga.
As ações de médio e longo prazo unem-se às ações imediatas que impactam diretamente as comunidades, como o patrocínio de eventos culturais, sociais e esportivos. A Codesp incentiva projetos que, associados à marca Porto de Santos, possam agregar valor frente a um ou mais públicos de interesse, gerando reconhecimento institucional.
A Companhia também busca preservar sua própria memória. Foi firmado convênio com a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) para restauração da locomotiva “Lavoura”, máquina a carvão, de fabricação americana, produzida em 1889. Restaurada, vai voltar a ser exposta no Museu do Porto. No local será construída uma estação de estrada de ferro, também conhecida como gare, para sua conservação.
No relacionamento com outras entidades, um dos destaques foi a aula magna do curso de Gestão Portuária da Faculdade de Tecnologia (Fatec) Rubens Lara da Baixada Santista, ministrada em março pelo diretor presidente Alex Oliva, em evento aberto ao público no terminal de passageiros do Porto de Santos.
O relacionamento com o Exército Brasileiro foi estreitado, com visitas de autoridades militares à presidência da Codesp. É crescente a integração do Exército com a gestão do porto, tendo como exemplo a participação em reuniões na Comissão Local das Autoridades Anuentes do Porto de Santos (Claps).
Na relação permanente com os clientes do Porto de Santos a Codesp retomou as reuniões do Comitê de Logística, participou do Comitê de Usuários de Portos e Aeroportos do Estado de São Paulo (Comus) e do Conselho da Autoridade Portuária (CAP). Também promoveu a reformulação do Plano de Auxílio Mútuo do Porto de Santos (PAM), visando à alteração de sua estrutura de funcionamento e o aprimoramento dos procedimentos de prevenção e atendimento a situações de emergência na área do Porto Organizado. O diretor presidente Alex Oliva afirma que todos os órgãos que integram o PAM devem trabalhar em conjunto, “agir em sintonia, alinhando procedimentos para atingirmos resultados eficazes”.
Na área de Recursos Humanos a Codesp iniciou participação no primeiro Comitê de Gênero do setor portuário. Composto por 16 integrantes e 16 suplentes, faz parte do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM) do Governo Federal. A empresa promoveu ação com depoimentos de funcionárias que atuam em profissões predominantemente masculinas. Na Companhia Docas as mulheres são cerca de 13% do quadro de pessoal.
A diretoria executiva da Codesp aprovou, ainda, a abertura de concurso público para preenchimento de vagas em diversas funções do quadro de carreiras da empresa, com formações técnico profissionalizantes, ensinos médio e superior. Está prevista, também, a formação de cadastro reserva. O concurso deve ocorrer em 2017.
José Alex Oliva completou em novembro seu primeiro ano na presidência da Codesp. As demais diretorias foram alteradas durante o ano, com mudanças de responsabilidade entre os diretores. Na diretoria Administrativa e Financeira, assumiu o engenheiro Francisco José Adriano, funcionário de carreira da Codesp, que ocupava o cargo de diretor de Relações com o Mercado e Comunidade. Em seu lugar, foi indicado Cleveland Sampaio Lofrano, engenheiro civil de formação, com mestrado em Engenharia de Transportes pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele era diretor de Logística na Companhia desde setembro do ano passado.
Modernização da gestão portuária
O Projeto de Modernização da Gestão Portuária (PMGP), iniciada em 2015, continua estruturando a Codesp para atuar com um novo modelo de gestão, objetivando aumentar os padrões de governança, gestão de riscos, conformidade, sustentabilidade e a qualidade dos serviços prestados, gerando benefícios sociais, retorno financeiro para seu custeio e investimentos.
A área responsável pela implementação do PMGP desenvolveu diversas ações que resultaram na execução de 90% do Projeto. Foi também implantado o Escritório de Projetos (PMO), sigla de Project Management Office, no qual novos processos, procedimentos e Instrumentos Normativos foram desenvolvidos.
O acompanhamento de Indicadores de Gestão, de Políticas Setoriais e de Processos está sendo enriquecido com iniciativas para levar ao conhecimento dos colaboradores a aplicação dos novos processos. Dentre as atividades destaca-se a criação do Escritório Itinerante para divulgar os conceitos, processos e procedimentos ligados ao PMGP, assim como a criação de uma Cartilha Orientativa do Escritório de Projetos implementado na Codesp, apresentada em um workshop para todos os diretores e superintendentes da empresa.
Entre outros procedimentos a serem destacados estão a publicação na Intranet das normas e procedimentos da empresa; dos cases de sucesso apresentados nas reuniões mensais do PMGP junto a estrutura de portos do ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil (MTPAC), via newsletter para todas as gerências e coordenadorias da empresa; do processo de honorário variável mensal, atingindo a meta de 100% nos três trimestres consecutivos, com expectativa de que o mesmo aconteça no último trimestre de 2016.
Projeções para 2017
O presidente Alex Oliva revela que, de acordo com as projeções feitas com base na atual conjuntura e informações fornecidas pelos terminais portuários, o Porto de Santos deve atingir uma movimentação em torno de 120,596 milhões t em 2017. “Essa expectativa implicará em um aumento de 6,3% em relação ao resultado previsto para 2016”, afirma o presidente.
Para as exportações está projetado aumento de 8,2% (89,000 milhões t) e para as importações de 1,3% (31,596 milhões t). Os sólidos a granel ( 60,698 milhões t) devem apresentar desempenho 12,1% acima do verificado neste ano, os líquidos a granel (15,882 milhões t) de 1,2% e a carga geral (44,015 milhões t) de 0,9%.
Segundo o diretor Lofrano, esses números apontam para um novo recorde anual, suplantando o maior resultado anterior, obtido em 2015 (119,9 milhões t). De acordo com Lofrano, isso deve ocorrer, principalmente, por conta da previsão de uma nova marca histórica para a safra brasileira de grãos e um forte desempenho do açúcar. Além disso, explica o diretor, espera-se um aumento na oferta de infraestrutura para a movimentação dessas cargas em Santos, com a entrada em operação dos novos berços do Tiplan e a viabilização de investimentos pelos terminais portuários.
Para o segmento de contêineres há uma expectativa de recuperação diante do esperado aquecimento da atividade econômica no país. O Porto de Santos tende a se beneficiar, também, com o aumento previsto para a safra de grãos 2016/2017. Após uma retração, em torno de 10,7%, na safra anterior, em virtude da queda de 21,2% na safra de milho, as estimativas apontam para uma safra de grãos em torno de 214,8 milhões t (aumento de até 15,3% ante a safra anterior), caracterizando-se como um novo recorde histórico para o país. Beneficiada pela elevação dos preços, pela demanda internacional ainda elevada e por condições climáticas mais favoráveis, a safra nacional de soja deve apresentar novo recorde, com crescimento médio estimado de 9,0% (totalizando 104,0 milhões t).
A perspectiva para o milho é de significativa recuperação, com crescimento médio da produção estimado em 25,7% (totalizando 83,8 milhões t). Para a Região Centro-Oeste, origem de, aproximadamente, 70% da soja e 94% do milho escoados através de Santos, a perspectiva da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é que a safra de grãos apresente crescimento em torno de 21%.
Para o açúcar é esperado um bom desempenho, tendo em vista a continuidade da trajetória de recuperação do preço dessa commodity nos mercados internacionais, em um cenário de oferta ainda insuficiente para atender a demanda.
As ótimas perspectivas para o agronegócio brasileiro favorecem também os desembarques de adubo, que tendem a continuar em sua trajetória de crescimento. Os graneis líquidos também tendem a apresentar desempenho positivo em relação a 2016.
Principais cargas
Carga Geral – Esse segmento de carga deve apresentar melhor desempenho neste ano, impulsionado pela perspectiva de retomada do crescimento na movimentação de contêineres e nos embarques de celulose e veículos.
Carga conteinerizada – Há uma expectativa de recuperação na movimentação dessas cargas, decorrente da esperada retomada do nível de atividade econômica no país. Estima-se aumento de 0,5%, permitindo chegar a 3,585 milhões teu.
Carga Solta – Espera-se um crescimento em torno de 5,8% para este segmento, que elevará sua movimentação para 3,575 milhões t, impulsionado pela retomada nas exportações de celulose e veículos.
Celulose – Vislumbra-se um cenário internacional de maior estabilidade no setor, com uma oferta mais ajustada à demanda. Dessa forma, estima-se que os embarques do produto totalizem cerca de 3,154 milhões t (+0,2%). O desempenho dessa carga poderá ser bem melhor caso a nova unidade da Fibria, em Três Lagoas (MS), comece a produzir no início do quarto trimestre de 2017, já que parte significativa dessa produção adicional deve ser exportada pelo Porto de Santos.
Veículos – Com a expectativa de maior dinamismo nas principais economias da América Latina, importante destino das exportações de veículos através do porto santista, espera-se um crescimento de 4,4% na movimentação de veículos em 2017, que deverá atingir 164.934 mil unidades. Será determinante para esse resultado o aumento de 5,0% previsto para as exportações (144.603 mil unidades). Já as importações devem se manter em patamar próximo ao atingido neste ano, com 20.330 mil unidades.
Líquidos a granel – Estima-se que as maiores variações absolutas positivas nessa modalidade ocorrerão por conta do álcool (1,398 milhão t), com +4,4%, e sucos cítricos (2,010 milhões t), +2,6%. Para o álcool a expectativa é de recuperação parcial nos embarques e para os sucos cítricos foi considerada a expectativa de ajuste adequado da oferta à demanda e uma taxa de câmbio mais benéfica às exportações brasileiras.
Óleo Diesel, Gasóleo – Espera-se para 2017 um crescimento próximo a 0,7%, totalizando 3,452 milhões t.
GLP – A expectativa é atingir 1,146 milhão t, 0,7% a mais que neste ano.
Óleo Combustível e Gasolina – Espera-se certa estabilidade para essas cargas, que devem totalizar volumes de, respectivamente, 1,515 milhão t (+0,7%) e 1,147 milhão t (+0,7%).
Sólidos a Granel - Diante das perspectivas favoráveis para a safra nacional de grãos e açúcar, espera-se uma forte recuperação para este segmento de cargas, principalmente, diante da expectativa do início das operações no terminal Tiplam e de novas melhorias estruturais nos terminais portuários.
Entre as principais mercadorias movimentadas, as maiores taxas de crescimento deverão ocorrer nas movimentações de milho (45,8%), soja em grãos (8,4%), açúcar (7,6%) e adubo (6,3%). Não há perspectiva de movimentação de minério de ferro e carvão enquanto a Usiminas mantiver suspensa a produção de aço na sua unidade de Cubatão.
Milho – Diante das expectativas apontadas no Segundo o Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos 2016/17 – Segundo Levantamento, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de um crescimento entre 24,9% e 27,1% na produção de milho nesta safra em relação ao ciclo 2015/16, devendo atingir entre 83,13 milhões t e 84,63 milhões t; para a colheita do maior estado produtor (Mato Grosso), de 21,64 milhões t (41,7% acima da safra anterior), e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), de um crescimento de 54,5% nas exportações brasileiras do produto, que totalizariam 25,50 milhões t, estima-se que os embarques do produto recuperem parte da forte queda verificada em 2016, registrando crescimento em torno de 45,4%, atingindo cerca de 11,808 milhões t.
Açúcar – A expectativa de movimentação para o produto é de novo crescimento. A projeção da Organização Internacional do Açúcar (OIA) para o ciclo 2017/18, considerando um clima normal nos próximos 21 meses, é que a produção e consumo atinjam o mesmo patamar, encerrando o ciclo deficitário no setor. Ainda que os preços possam reagir negativamente, às perspectivas de equilíbrio da oferta e demanda mundial e os níveis criticamente baixos dos estoques seriam suficientes para cessar o efeito, segundo o relatório. É importante se considerar a ampliação da disponibilidade de estrutura para o escoamento de açúcar com o início das operações no Tiplan e de investimentos feitos pelos terminais. Considerando apenas a movimentação na modalidade granel, o crescimento estimado é de 7,6% em relação a 2016, atingindo 20,320 milhões de toneladas. Considerando também a movimentação de açúcar em contêineres, o produto deverá atingir um volume total de 22,114 milhões t, 7,1% acima do previsto para 2016.
Complexo Soja (soja em grãos e farelo) – As projeções apontam para mais uma safra recorde, graças ao clima favorável durante o plantio da oleaginosa. Conforme o Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos 2016/17 – Segundo Levantamento (Novembro/2016) da Conab, a produção de soja na região Centro-Oeste deverá crescer entre 11,0% e 12,1%, enquanto para o Brasil a estimativa é de crescimento entre 6,5% e 8,5% (entre 101,60 milhões de t e 103,51 milhões de t). O USDA estima em 58,40 milhões t o volume das exportações brasileiras de soja na safra 2016/17, ficando 7,4% acima do volume estimado para este ano (54,38 milhões de toneladas).
Diante desse cenário, estima-se que passem pelo Porto de Santos cerca de 20,138 milhões t de produtos do complexo soja, um crescimento de 6,5% acima do previsto para 2016. Desse total, cerca de 15,638 milhões t serão de soja em grãos, crescimento de 8,3%, e 4,500 milhões t de farelo de soja, aumento de 0,7%.
Adubo – As perspectivas apontam que os preços devem se manter estáveis e a demanda crescente, relacionada à expansão de áreas agrícolas. Assim, estima-se um crescimento em torno de 6,3% em 2017, chegando a 3,565 milhões t.
Fluxo de Navios - Para 2017 é esperada a continuidade das intervenções, objetivando a manutenção da profundidade do canal e a adaptação dos berços de atracação. Há, também, uma expectativa de forte incremento nos embarques de sólidos a granel (especialmente milho, soja e açúcar), o que tende a elevar a consignação média dos navios. Assim, estima-se que o fluxo de navios crescerá 1,4%, enquanto a consignação média se elevará para o patamar de 25.397 t por navio (alta de 2,2% em relação a 2016).