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20/02/2018 - 09h09
Portuários ameaçam greve e ocupação da Codesp contra redução de benefício e aumento de contribuição do Portus
Fonte: AssCom Sindogeesp / Sindaport


A proposta de redução de 28,77% no valor do benefício pago aos assistidos e o aumento de 9% para 27,75% na mensalidade custeada pelos trabalhadores da ativa feita pelo Portus Instituto de Seguridade Social, fundo de pensão da categoria, poderá provocar greve de 48 horas na Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), estatal que administra o Porto de Santos, nos próximos dias 3 e 4 de março.
Além da suspensão das atividades, a ocupação pacífica das dependências da empresa também será avaliada pelos portuários. O movimento envolve trabalhadores ligados ao Sindicato dos Empregados na Administração (Sindaport), Sindicato dos Operadores de Guindastes e Empilhadeiras (Sindogeesp), Sindicato dos Operários Portuários em Capatazia (Sintraport), Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Santo e Região (Sindrod), e Associação dos Participantes do Portus.
As assembleias conjuntas serão realizadas na sede do Sindaport, entidade representativa majoritária dos cerca de 1.500 empregados da Codesp, nesta sexta-feira (23), às 20h, para os portuários que seguem na ativa, e na próxima terça-feira (27), às 9h, para os participantes assistidos e pensionistas.
Previstas para entrarem em vigor no dia 1º de abril, as medidas fazem parte do plano de equacionamento administrativo e financeiro anunciado pelo interventor do Portus, Luiz Gustavo da Cunha Barbosa, e foram aprovadas pelo Conselho de Administração (Consad) da Codesp, em reunião realizada em novembro do ano passado. O pacote também foi aprovado pelo Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil.
"O momento é extremamente preocupante e requer a participação de todos os envolvidos, independentemente da condição de ativo ou não, considerando que o Governo Federal quer que os portuários assumam o prejuízo causado por ele próprio através das patrocinadoras do Portus, ou seja, das administradoras das companhias docas públicas, cujas gestões políticas vêm sendo pautadas ao longo dos anos pela incompetência, desmandos e pela mais absoluta irresponsabilidade, deixando a situação atingir o caos no qual se encontra hoje", afirmou o presidente do Sindaport, Everandy Cirino dos Santos.
Segundo o dirigente, o movimento paredista e a ocupação das sedes poderá ocorrer em todos os portos com administrações estatais. "Estamos atuando em conjunto com a Federação Nacional dos Portuários (FNP) e com os sindicatos coirmãos dos outros estados objetivando a aprovação de um movimento denominado Calendário Nacional de Unidade e Luta em Defesa do Portus", anunciou o sindicalista.
A contratação de uma empresa independente para auditar as finanças do Instituto também está na pauta das assembleias, antecipou o presidente do Sindogeesp, Guilherme do Amaral Távora. "Lá se vão quase sete anos que os interventores se sucedem à frente do Portus e só o que chega ao nosso conhecimento é que o rombo aumenta a cada ano que passa, e por isso vejo como imperioso que nós, os verdadeiros e únicos interessados na recuperação da instituição, tenhamos acesso às contas, estatísticas, projeções e etc". O Portus está sob intervenção federal desde agosto de 2011.
Nesse sentido, o desconto de R$ 60,00 divididos em três parcelas para o custeio da auditoria será proposto nos dois encontros, assim como o ingresso de uma ação popular contra a União visando a reparação por perdas e danos. O Sindaport fica na Rua Júlio Conceição, 91, Vila Matias.