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22/02/2013 - 04h11
Portuários confirmam greve para esta sexta-feira
Fonte: AssCom Sindogeesp

Trabalhadores portuários de todo o Brasil cruzam os braços nesta sexta-feira em protesto contra a Medida Provisória 595, novo marco regulatório do setor anunciado pelo Governo Federal no início de dezembro. A paralisação está prevista para ocorrer no período da manhã, das 7h às 13h, ficando previamente agendada uma nova greve para ocorrer na próxima terça-feira, desta vez no turno da tarde, das 13h às 17h.
A decisão dos portuários foi confirmada durante a reunião realizada nesta quinta-feira, em Brasília, que contou com a participação de representantes da Federação Nacional dos Portuários (FNP), Federação Nacional dos Estivadores (FNE) e Federação Nacional dos Conferentes, Consertadores, Vigias e Trabalhadores de Bloco (FENCCOVIB). Na tentativa de neutralizar a iniciativa dos trabalhadores e suspender a segunda paralisação o Governo agendou para hoje uma audiência na Casa Civil com as lideranças sindicais.
Participam do encontro o presidente do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport) e vice-presidente da FNP, Everandy Cirino dos Santos, representando a Central Única dos Trabalhadores (CUT), e o presidente do Sindicato dos Estivadores de Santos, Rodnei Oliveira da Silva, como representante da Força Sindical. Os dois dirigentes estarão acompanhados dos deputados da bancada paulista Márcio França (PSB) e Paulo Pereira (PDT).
Em Santos, a mobilização das categorias visa à paralisação total das atividades. Na manhã desta quinta-feira, a assembleia realizada pelo Sindicato dos Conferentes de Carga, Descarga e Capatazia ratificou a greve de hoje. "A categoria aprovou de forma unânime e as orientações vindas de Brasília através da nossa federação bem como das demais serão seguidas à risca", disse o presidente, Marco Antônio Sanches, que também é vice-presidente da Fenccovib.
A opinião é compartilhada pelo presidente do Sindicato dos Consertadores de Carga e Descarga de Santos, Adilson de Souza. "Vamos cumprir fielmente as deliberações das federações seguindo o calendário de mobilização que está sendo discutido". Para o sindicalista, faltou bom senso e sensibilidade para os governantes. "A greve é a única alternativa em razão da total falta de diálogo por parte do Governo, que só agora se propôs a ouvir os trabalhadores portuários".
Jozimar Bezerra de Menezes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Bloco, é um dos mais indignados com a situação. "É um rolo compressor para cima dos trabalhadores portuários sem precedentes na história recente dos portos, pior até que a implantação da Lei de Modernização (nº 8.630, de 1993, revogada pela MP 595)". O sindicalista lembra que, ao contrário deste Governo, por ocasião da formatação da extinta lei os portuários foram chamados à mesa de negociação.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Operadores de Guindastes e Empilhadeiras (Sindogeesp), Guilherme do Amaral Távora, as greves acontecerão por culpa do Governo. "Assim como as outras categorias coirmãs, temos inúmeros acordos de trabalho firmados com diversos operadores e terminais portuários e estávamos trabalhando em paz, até que meia dúzia de técnicos aliados a alguns megaempresários resolveram aparecer e mudar tudo, rasgando nossos acordos e retirando nossos direitos". Segundo ele, a categoria está mobilizada e vai reagir.
Dos nove sindicatos portuários de Santos, um deles manterá obrigatoriamente suas atividades durante as paralisações previstas para hoje e terça-feira: o dos Vigias Portuários. "Estamos acompanhando diuturnamente o trabalho realizado pelas federações e somos solidários as demais entidades representativas, porém, em se tratando de um trabalho de vigilância das embarcações e não operacional, somos compelidos a não fazer qualquer tipo de greve", disse José Cavalcante Pessoa, vice-presidente do sindicato da categoria.
Participam da greve, ainda, os trabalhadores representados pelo Sindicato dos Operários em Capatazia (Sintraport) e Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviários de Santos e Região. Além da paralisação, empregados da Companhia Docas do Estado de São Paulo realizam um ato público na Avenida Rodrigues Alves, s/nº, em frente ao edifício da presidência da Codesp, às 11h30.