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13/02/2013 - 04h33

Portuários descartam audiência na Casa Civil

Fonte: AssCom Sindogeesp
 
 
A deputada estadual Telma de Souza (PT-SP) bem que tentou dar sua cota de colaboração em defesa dos trabalhadores portuários de Santos. Na condição de uma das grandes lideranças do PT, em Santos, a ex-prefeita conseguiu agendar um encontro entre os dirigentes sindicais e a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, tendo como pauta a Medida Provisória 595. Prevista para ocorrer nesta quinta-feira, em Brasília, a audiência pode não acontecer já que os sindicalistas não concordaram com a exigência da ministra, que limitou a participação de apenas três representantes dos trabalhadores na reunião.
 
Reunidos na sede do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport), os dirigentes rechaçaram a condição imposta. "Antes de mais nada temos que agradecer a deputada Telma por seu empenho e dedicação, mas não podemos concordar com essa postura discriminatória vinda de uma das mulheres mais importantes do Governo, que com essa magistral ideia quer mesmo é promover um racha no movimento portuário", disse o presidente anfitrião, Everandy Cirino dos Santos. 
 
Segundo Cirino, a exigência feita pela ministra-chefe lembra as doutrinas políticas definidas no clássico O Príncipe, de Maquiavel. "Deve ser o livro de cabeceira dela, que ao melhor estilo dos  conhecidos métodos maquiavélicos quer dividir para governar, com o que não concordamos". Ele ressalta que os portuários estão unidos e coesos em defesa dos interesses da categoria. "Ou vão todos na audiência, inclusive os deputados federais que estão conosco desde o início, ou não vai ninguém".
 
O dirigente se refere à participação dos deputados federais, Márcio França (PSB-SP) e Paulo Pereira (PDT-SP) na campanha desencadeada pelos trabalhadores contra a MP. "Estão conosco desde o início e tenho certeza que irão até o fim, seja qual for o desfecho", disse o líder do Sindaport. O entendimento é compartilhado pelo presidente do Sindicato dos Operários (Sintraport), Róbson Apolinário, presente na reunião da última sexta-feira. "Apesar de válida, a colaboração da deputada chegou tardiamente até porque, segundo informações que nos chegam diariamente de Brasília, a essência da MP não será alterada".
 
A participação parcial dos dirigentes também foi rechaçada pelo presidente do Sindicato dos Estivadores de Santos, Rodnei Oliveira da Silva. Ele acredita que a condição imposta pela representante do Governo foi deliberada. "Agradecemos a Telma, mas não temos como aceitar a exigência que me parece ter sido previamente calculada para ter a nossa discordância, como aconteceu, ou um possível racha na categoria". Para Rodnei, os portuários de Santos agiram acertadamente ao recusar a audiência.
 
A questão político-partidária que envolve os nove sindicatos portuários foi levada em consideração. O presidente do Sindicato dos Operadores de Guindastes e Empilhadeiras, Guilherme do Amaral Távora, foi categórico. "Se com o pessoal unido a coisa já está difícil, imagina com o grupo dividido". Na mesma linha segue o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Bloco, Jozimar Bezerra de Menezes. "Ainda que as posições estejam caminhando na mesma direção, qualquer mudança de rumo no atual momento seria temerosa e por isso temos que somar e não dividir".
 
Com a proximidade do início dos trabalhos da comissão parlamentar que irá apreciar as 645 emendas apresentadas à MP, previsto para o próximo dia 20, os sindicalistas preferem aguardar o resultado da plenária das três federações que acontece nos dias 19, 20 e 21, na capital federal. Por sua vez, o Governo segue mobilizado na tentativa de neutralizar os avanços dos trabalhadores apoiados pela Força Sindical. A postura é ratificada com a indicação de um líder governista para relator da MP.
 
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