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25/11/2016 - 05h59

Prolongamento da recessão reduz a ocupação e aumenta o desalento

Fonte: Valor Econômico

 
O impacto negativo da recessão sobre o mercado de trabalho das diferentes regiões se intensificou no terceiro trimestre. Em praticamente todo o país acelerou-se o ritmo de eliminação de postos de trabalho. Diante do prolongamento da recessão, a disposição dos brasileiros para buscar emprego é cada vez menor. A maior deterioração foi observada no Nordeste, onde a ocupação recuou expressivos 6,4% entre julho e setembro, no confronto com o mesmo período do ano passado, contra queda de 3,9% no segundo trimestre deste ano, na mesma comparação.
 
Nessa região, o princípio de desalento observado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua referente ao segundo trimestre ficou mais evidente. Depois de recuar 0,7% na comparação com o segundo trimestre do ano passado, a força de trabalho reduziu 2,8% de julho a setembro. O Norte registrou o primeiro resultado negativo para a variável desde o início do ciclo de aumento do desemprego. A queda foi de 0,1%, após avanço de 2,9% da população economicamente ativa no segundo trimestre.
 
Para Bruno Ottoni, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), a piora mais expressiva é em parte explicada pela própria estrutura do mercado de trabalho nas duas regiões. "Ele é menos dinâmico, conta com um número menor de empresas e trabalhadores menos qualificados", pondera.
 
O cenário de desalento é reiterado pelas medidas de subutilização da força de trabalho lançadas recentemente pelo IBGE. O economista observa a chamada força de trabalho potencial, formada por trabalhadores que estavam disponíveis no período e que gostariam de trabalhar, mas que não buscaram emprego. Entre julho-setembro do ano passado e o mesmo período deste ano, o grupo cresceu 34,4% e passou a somar 6,1 milhões. Do total, metade está no Nordeste.
 
Os sinais da recessão, contudo, estão disseminados. Nas demais regiões, o crescimento da força de trabalho perde fôlego e o volume de postos de trabalho segue recuando. No Sudeste, a retração no volume de pessoas empregadas se intensificou de 0,9% no segundo trimestre para 1,1%, sempre em relação a igual período do ano anterior. No Sul, a retração manteve-se em nível próximo do observado no trimestre anterior, 0,6%, e no Centro-Oeste, a alta de 0,2% passou a queda de 0,4%.
 
Mesmo com a saída de trabalhadores do mercado, o Nordeste segue liderando o ranking do desemprego, com taxa de 14,1%, seguido pelo Sudeste, 12,3%, ambos acima da média nacional no período, 11,8%. Segundo a Pnad, 19 entre as 27 unidades da federação registraram a maior taxa desde o início da série histórica da Pnad. A Bahia é o primeiro nome da lista, com desemprego de 15,9%, seguido por Pernambuco (15,3%) e Amapá (14,9). As menores taxas no terceiro trimestre foram verificadas em Santa Catarina (6,4%), Mato Grosso do Sul (7,7%) e Rio Grande do Sul (8,2%).
 
Ainda que em níveis distintos, os principais afetados pela onda de desemprego são os menos escolarizados, tanto jovens quanto mais velhos. Em todas as regiões, os grupos que mais elevaram a participação no total de desempregados foram os trabalhadores com ensino médio completo e incompleto - que somam quase metade dos 12 milhões sem emprego - e aqueles entre 40 e 59 anos, cuja fatia avançou dois pontos percentuais entre julho-setembro de 2015 e mesmo trimestre deste ano, de 19,5% para 21,5%.
 
O movimento, afirma Ottoni, do Ibre-FGV, é típico de períodos recessivos, que prejudicam especialmente os trabalhadores menos produtivos. "Por isso os mais novos também acabam sofrendo muito, além das mulheres, que muitas vezes têm uma participação mais transitória no mercado de trabalho". Dos 98,9 milhões de brasileiros fora da força de trabalho, 65,5% são mulheres.
 
Os dados ruins no terceiro trimestre, na avaliação do coordenador de trabalho e renda do IBGE, Cimar Azeredo, apontam para um fim de ano desalentador, já que no período geralmente ocorrem contratações para o Natal. "Mostra que o país ainda não ligou as turbinas."

 
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