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15/06/2016 - 10h17
Quatro greves e protestos marcam o dia em Cubatão
Fonte: G1/Santos
Categorias cruzaram os braços nesta terça-feira devido a falta de pagamento e reajuste salarial


Talvez a palavra mais ouvida nesta terça-feira (14) em Cubatão tenha sido greve. Afinal, quatro categorias cruzaram os braços na Cidade: trabalhadores do Hospital Municipal, professores, da segurança e limpeza pública. A reclamação da maioria dos profissionais é a falta de pagamento de salários e benefícios.
Segundo Paulo Pimentel, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Santos (Sintrasaúde) só voltarão ao trabalho depois que a Associação Hospitalar Beneficente do Brasil (AHBB) pagar salários, férias e verbas rescisórias atrasadas.
"Ninguém da Prefeitura ou da AHBB nos procurou para conversar. Um total desrespeito à categoria", disse ele enquanto acompanhava a passeata dos trabalhadores ao longo da Avenida Nove de Abril, em direção à Prefeitura.
Na avenida, os funcionários do hospital se juntaram a professores municipais a trabalhadores da Cursan, responsável pela limpeza, e a vigilantes da empresa Marvin.
Hospital
O hospital tem cerca de 450 trabalhadores, sendo que segundo Pimentel a adesão foi de pelo menos 350 (cerca de 70%). “Uma parte ficou trabalhando para dar garantia de assistência a pacientes internados e a emergências”, disse.
Entre os participantes espalhou-se o boato de que a AHBB utilizou grande parte dos R$ 2 milhões repassados ontem pela Prefeitura para pagar médicos e fornecedores, embora os recursos tenham sido liberados para pagar os funcionários da unidade, conforme acordado em reunião realizada no Ministério Publico, na tarde de segunda.
A AHBB não deu qualquer explicação à Prefeitura sobre o atraso nos pagamentos, nem respondeu aos contatos de A Tribuna.
Sobre a questão, a Secretaria de Saúde do Estado informa que deve se reunir com a Prefeitura de Cubatão no próximo dia 20. Segundo a diretora regional de Saúde da DRS IV (responsável pela Baixada Santista), Paula Covas Borges Calipo, o encontro, que deve contar com o secretário de Saúde David Uip, atende a pedido da promotora de Justiça Larissa Motta Nunes.
“Vamos conversar sobre a situação. Temos um momento emergencial (do Hospital Municipal), mas precisamos traçar um plano para que este momento não aconteça de novo”, afirmou.
Paula deixa claro que a responsabilidade pelo Hospital é da Prefeitura, e que o Estado já fornece recursos específicos para ajudar na manutenção, por entender que o equipamento é importante no contexto da Saúde regional.
“O Hospital Municipal recebe um complemento à tabela do SUS, que acreditamos defasada, dentro do (programa) Santas Casas Sustentáveis”.
Segundo ela, esse complemento é de 40% acima do teto pago pelo SUS. “Somos todos parceiros no SUS, queremos ver a Saúde Pública cada vez melhor”, disse.
Professores
A presidente do Sindicato dos Professores de Cubatão, Helenizia Oliveira Garcia, diz que a Administração Municipal não concedeu aos servidores o valor mínimo de reajuste permitido por lei no período eleitoral de 4,2% entre janeiro e maio deste ano. Negou também a incorporação do Cartão Servidor do Ecopag, que está suspenso.
"Hoje não temos direito a assistência à saúde. Pagamos convênio à Caixa de Previdência e nem podemos ficar doentes, porque não temos hospital nos atendendo", informou a sindicalista, que teve ao seu lado no protesto cerca de 300 professores.
Segundo a Assessoria de Comunicação da Prefeitura, em reunião realizada com o sindicato da categoria, foi esclarecido que, devido à queda de arrecadação, qualquer reajuste nesse momento ultrapassaria o limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, o que é proibido pela legislação federal.
"Além disso, é de conhecimento de todos, a grave crise financeira que o Município enfrenta. Ainda assim, não há atraso de salários ou benefícios para a categoria", assinala a assessoria em nota.
Quanto ao número de professores em greve, a Administração Municipal contesta a informação do sindicato e diz que a paralisação tenha tingiu menos de 30% da rede municipal. “Das 17 creches, apenas uma paralisou parcialmente o atendimento aos alunos. Na Pré-escola, das 20 escolas, houve paralisação total ou parcial em sete”.
Com relação à empresa Marvin, a Prefeitura afirma ter repassado R$ 237 mil na segunda-feira (13) referente a valores abertos do mês de maio. Nesta terça-feira foi depositado R$ 1,5 milhão, com expectativa do fim da paralisação.