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30/10/2013 - 03h21

Ramo de trabalho influencia na saúde da pessoa

Fonte: Extra
 
 
Júlio Tupinambá, de 50 anos, trabalhou por 22 anos como motorista de ônibus até se aposentar por invalidez, após um diagnóstico de epilepsia. Das longas jornadas ao volante, ele herdou mais 70 quilos, dores na coluna e um problema no joelho, que o obrigou a fazer uma cirurgia no menisco. Ter a saúde precária é comum entre profissionais do setor de Transporte, classificados como os menos saudáveis por um estudo que relacionou dez ramos de atividade econômica com o bem-estar de seus trabalhadores. Na outra ponta da lista, empregados da Indústria de transformação apareceram como os mais saudáveis.
 
Realizada pela SulAmérica Seguros, a pesquisa avaliou 41.366 pessoas de dez capitais brasileiras, entre 2010 e 2012. Para o médico Gentil Alves, superintendente de Gestão de Saúde na empresa, os resultados mostram que o trabalho é um dos principais influenciadores da saúde, desde que o sistema produtivo passou a obrigar trabalhadores a ficar mais tempo no ofício do que no próprio lar.
 
— No setor de Transporte, motoristas e caminhoneiros estão submetidos a uma rotina estressante, dirigem em condições adversas, passam a noite fora de casa, se alimentam mal e raramente têm tempo de fazer atividades físicas — explica Alves.
 
Na Indústria de transformação, acredita-se que a intensificação das campanhas de prevenção de acidentes tenha ajudado a conscientizar funcionários sobre a importância dos cuidados com a saúde.
 
É o caso do analista de importação e exportação Wellington Guimarães Silva, de 27 anos, que trabalha em uma empresa de produtos pós-metálicos. Ele visita o médico pelo menos duas vezes ao ano para fazer o controle do risco de doença cardiovascular, já que há histórico do problema na família.
 
Bons hábitos geram mais produtividade
 
A pesquisa revelou ainda que os trabalhadores de mais idade têm indicadores de saúde mais comprometidos, embora apresentem hábitos de vida mais saudáveis. Já os jovens praticam menos atividades físicas, consomem mais álcool e fumam mais, apesar das avaliações melhores.
 
— Nem todas as questões ligadas ao trabalho podem ser mudadas, como o estresse e o cumprimento de metas, então cuidar da saúde é fundamental — diz Alves.
 
Para o neurologista André da Matta, mais empresas deveriam adotar medidas que promovem o bem-estar dos funcionários, como programas de ginástica laboral e sessões de relaxamento durante o expediente.
 
— Empresas inteligentes já perceberam que essa é uma forma de aumentar a produtividade — diz Matta, professor de neurologia da Universidade Federal Fluminense.


 
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