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31/05/2016 - 11h21

Região fecha quase 10 mil vagas no primeiro trimestre do ano

Fonte: A Tribuna On-line / Maurício Martins
 
Número é 387% superior ao registrado no mesmo período de 2015
 
 
De janeiro a março deste ano, a Baixada Santista perdeu 9.813 empregos formais, com carteira assinada. Juntas, as nove cidades registraram 37.199 desligamentos contra 27.386 admissões. A região somou 12% de todas as 81.782 vagas fechadas no Estado nesse período, enquanto concentra aproximadamente 4% da população estadual. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.
 
A perda de postos de trabalho aumentou 387.2% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, quando foram registradas 2.014 vagas a menos – 38.309 desligamentos e 36.295 admissões. Os setores mais afetados em 2016 foram o de Serviços, com a eliminação de 3.704 empregos, seguido por Comércio (2.593), Indústria (2.516) e Construção Civil (736). 
 
Quanto às ocupações, a profissão de vendedor de comércio varejista, com média salarial de R$ 1.247,52, teve o pior desempenho, com fechamento de 741 vagas. Ainda nos três primeiros meses deste ano foram fechados 556 postos no cargo de operador de telemarketing, cujo salário médio é de R$ 885,02, e 463 na função de atendente de lanchonete, com ganhos de aproximadamente R$ 1.077.23.
 
Pior resultado
 
O País perdeu 323.052 empregos formais de janeiro a março deste ano. Só no mês passado, foram perdidos 118.776 registros em carteira de trabalho, pior resultado desde 1992, quando o Caged começou a divulgar os números. No acumulado dos últimos 12 meses, o Brasil registrou 1,8 milhão de vagas a menos.
 
A região seguiu a tendência dos piores resultados na série histórica. Em março, as nove cidades da Baixada Santista eliminaram 2.637 empregos. No último ano, entre admissões e demissões, foram 22.800 vagas a menos.
 
Assustador
 
Para a economista Karla Simionato, delegada do Conselho Regional de Economia na Baixada Santista, a perda de vagas foi ainda pior do que o esperado. “Já era previsto que a crise econômica acabasse se refletindo na Baixada Santista, mas não nesse patamar tão elevado. Mais de 300% em relação ao ano passado é assustador”.
 
Karla cita o efeito dominó ocasionado pelas demissões e o grande prejuízo que a região teve com o fechamento da Usiminas, em Cubatão. 
 
“Foram fechados postos diretos, o que também refletiu nas empresas que prestavam serviços para a Usiminas e acabaram fechando. Por isso, teve esse aumento tão grande”.
 
Segundo a economista a falta de investimentos da Petrobras na exploração da camada pré-sal freou a abertura de novas oportunidades e impactou no resultado. “Com tanto dinheiro desviado, a Petrobras diminuiu investimentos, vários postos de trabalho que eram esperados não aconteceram”.
 
Ela acredita que o País irá se recuperar quando as questões políticas foram resolvidas. “Temos o maior Porto da América Latina. Se a economia melhorar, serão gerados mais empregos portuários, o que movimenta o setor de serviços”.
 
Mais jovens
 
Professor de Economia da Fatec de Praia Grande e doutor em História Social e Econômica, João Carlos Gomes diz que a retração da economia brasileira impacta muito os setores de Comércio e Serviços. Porém, afirma ele, a região é mais afetada porque 80% dos empregos daqui estão concentrados nessas áreas.
 
“São os setores que empregam mão de obra jovem, de 18 a 29 anos, e com escolaridade média. Um fato relevante é que o desemprego é maior no sexo masculino, porque as mulheres têm salário inferior e impactam menos (as empresas)”.
 
Para Gomes, a falta de vagas precariza o trabalho. “Aumenta a rotatividade e essa população vai aceitar empregos com salários menores. Assim, a média salarial tende a declinar na região. E deve ficar desse jeito até o meio de 2017”.
 
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