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03/06/2014 - 01h17

Reivindicações não atendidas elevam número de atos

Fonte: Band.com



Só em maio, o país foi alvo de manifestações contra os gastos com a Copa do Mundo, a favor de moradia, educação e melhores salários. A avenida Paulista, uma das mais importantes de São Paulo, teve uma manifestação a cada dois dias úteis durante o mês, segundo dados da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego). Segundo o cientista político da Unesp (Universidade Estadual Paulista) Antônio Carlos Mazzeo, esse visível aumento de protestos nos últimos tempos deve-se aos atos de junho do ano passado. 
 
"Os gargalos daquelas históricas manifestações que pararam cidades de todo o Brasil  – como educação, saúde e transporte – não foram atendidos e isso leva as pessoas para a rua protestar". 
 
Para o especialista, as manifestações recentes (como a de integrantes do MTST contra a Copa do Mundo) e as do ano passado diferem em um aspecto: "Houve um salto organizativo nos atuais atos. Em relação com 2013, perderam espontaneidade, mas ganharam organização". 
 
Crise
 
Mais do que protestos por melhorias na saúde, educação e nos transportes, as mobilizações da Polícia Militar, da Polícia Civil, de professores públicos e de outras categorias por melhorias salariais registraram um crescimento em 2013. 
 
No Recife, em Pernambuco, a Polícia Militar parou as atividades e pediu, entre 18 reivindicações, melhores condições de trabalho; reajuste salarial de 50% para soldados e de 30% para oficiais retroativo a janeiro deste ano; aprovação de um novo plano de cargos e carreira; fim da pena de prisão prevista no Código Disciplinar; exigência de curso superior para admissão de novos militares; pagamento de uma gratificação para quem fizer cursos de especialização, além do aumento do valor do tíquete-refeição.
 
Por conta da paralisação, a cidade ficou um caos, houve saques, roubos e tropas do Exército precisaram ser chamadas para garantir a ordem. 
 
Já em 13 estados (Alagoas, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio De Janeiro, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins) e no Distrito Federal, a Polícia Civil anunciou uma greve na última semana.  O objetivo era pedir a unificação dos salários dos policiais em todo o país com uma política nacional de segurança pública. 
 
Segundo Mazzeo, esses setores – que raramente paravam – tiveram esta atitude por conta de uma política de contenção de custos. “A crise internacional chega ao Brasil e a forma que o governo vê para reparar as arestas dos gastos é conter os aumentos salariais do funcionalismo público”, explica.  
 
“Isso, porém, não agrada os trabalhadores e faz com que eles levem para as ruas pautas reprimidas”, conclui. 
 
De acordo com a lei, nos casos de greves de serviços essenciais, como as polícias, deve haver pelo menos 30% dos servidores no exercício das atividades. 
 
Motoristas de São Paulo 
 
No meio de tantas manifestações e protestos organizados por sindicatos, um ato nesta semana gerou polêmica e ganhou grandes proporções em São Paulo. A cidade, assim como os motoristas e cobradores dos coletivos, parou. 
 
A capital paulista teve que suspender o rodízio municipal por dois dias, registrou trânsito recorde na terça-feira (de acordo com a CET, o índice de lentidão bateu os 261 quilômetros) e a população teve problemas para voltar para casa após o trabalho. 
 
Mazzeo explica que ações como essa são “legítimas”, embora possam parecer “ilegais”. “A base dos trabalhadores discordou do seu sindicato, que tem um histórico estranho, com acusações de corrupção, e resolveu parar”. 
 
A visibilidade que esse episódio tomou, assim como qualquer manifestação no Brasil, acontece, de acordo com o especialista, “porque todos os olhos estão virados para o país da Copa do Mundo e das próximas Olimpíadas”. 
 
Para o cientista político, 2014 continuará com as manifestações, não apenas pela pressão política que o Brasil passa, mas também porque, para ele, essa é a única alternativa encontrada para combater “a falta de vontade política e de capacidade do governo em conversar com a população”. 
 
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