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01/11/2018 - 00h35
Rendimento real dos trabalhadores registra aumento de 0,6% em um ano
Fonte: DCI
No trimestre encerrado em setembro deste ano, renda chegou a R$ 2.222, recuo de 0,3% em relação a abril, maio e junho; baixa qualidade de vagas e desemprego alto limitam salários

Mesmo com inflação baixa e sob controle, o rendimento médio real dos trabalhadores segue estável, refletindo o alto nível do desemprego e a baixa qualidade dos postos de trabalho que estão sendo criados.
A tendência é que, a partir de 2019, os ganhos acima da inflação possam ser mais significativos, mas o ritmo dessa melhora ainda dependerá da velocidade de aprovação de reformas estruturais pelo Congresso no ano que vem, avaliam especialistas.
Em um ano, a renda média real dos trabalhadores ocupados cresceu 0,6%, ao passar de R$ 2.208 no trimestre encerrado em setembro de 2017, para R$ 2.222 em igual período deste ano.
Em relação aos meses de abril, maio e junho, os rendimentos recuaram 0,3%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com a economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Maria Andréia Parente, a qualidade dos postos que estão sendo gerados, principalmente na construção civil e nos serviços, tem limitado ganhos na renda.
“Há um processo lento de desaceleração do desemprego e criação de vagas. Porém, as pessoas estão sendo contratadas com salários mais baixos e condições mais precárias, o que diminui a possibilidade de ganhos reais, mesmo com a inflação controlada”, destaca Parente.
Os dados da Pnad mostram que, de fato, houve redução do desemprego e aumento dos postos de trabalho que foram, em sua maioria, informais.
Na passagem do segundo trimestre para o terceiro trimestre do ano, a taxa de desocupação passou de 12,4% para 11,9%, com a geração de 1,384 milhão de vagas, embora apenas 138 mil delas com carteira assinada no setor privado.
“Temos motivos para comemorar, esse 1,4 milhão (de vagas), mas temos motivos para ficar preocupados, porque a qualidade do emprego continua em queda”, disse Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.
“Ainda restam 12,5 milhões de pessoas em situação de desocupação no território brasileiro. Essa geração de vagas tem parte expressiva voltada para ocupações caracterizadas pela informalidade”, complementou Azeredo.
Subutilização
Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), destaca que uma das boas notícias da Pnad foi a interrupção da queda no número de postos com carteira assinada na passagem do segundo trimestre para o terceiro. Contudo, em relação a igual período de 2017, foram fechadas 327 mil vagas.
Barbosa reforça que a fraca atividade econômica e o elevado número de desempregados, desalentados e força de trabalho subutilizada ainda segura possibilidades de ganhos reais na renda. “O mercado de trabalho não está para o trabalhador”, comenta o pesquisador.
No trimestre encerrado em setembro, a população subutilizada (27,3 milhões) ficou estável frente ao trimestre anterior (27,6 milhões de pessoas). Em relação a igual trimestre de 2017 (26,8 milhões), este grupo cresceu 2,1%, um adicional de 559 mil pessoas. Essa categoria é formada por desempregados, pessoas que trabalham menos horas do que gostariam e pela força de trabalho potencial.
O número de pessoas desalentadas (4,8 milhões) também ficou estável em relação ao trimestre anterior e subiu 12,6% ante igual trimestre de 2017 (4,2 milhões).
A economista do Ipea afirma que a renda real só voltará a crescer de forma significativa na medida em que houver uma forte redução da taxa de desemprego. Segundo Parente, isso depende fundamentalmente do ritmo de aprovação das reformais fiscais pelo governo que assume em 2019.
“Um governo com responsabilidade fiscal indica taxas de juros controladas, aumento da confiança dos empresários, os quais, por sua vez, decidem investir mais, gerando mais empregos. Com a elevação da ocupação e inflação controlada, a renda cresce. É um círculo virtuoso”, destaca Parente.
Outros dados do IBGE mostram que o percentual de trabalhadores ocupados contribuindo para a Previdência Social caiu de 63,7% em junho para 63,1% em setembro.










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