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31/08/2018 - 02h45

Salário médio diminui 9,1% na Baixada Santista, diz Caged

Fonte: A Tribuna On-line
 
Quem se recolocou no mercado no primeiro semestre recebeu menos do que quem foi dispensado

 
Após seis anos consecutivos de retração, o mercado de trabalho da Baixada Santista apresentou no mês passado leve sinal de retomada nos indicadores econômicos. Juntas, as nove cidades da região iniciaram o segundo semestre com saldo de 187 postos com carteira assinada. O resultado positivo revela, contudo, alta rotatividade nas vagas de emprego regionais. E quem consegue sair das fileiras do desemprego recebe, em média, 9,1% menos do que quem foi demitido na mesma função.
 
Esse quadro torna-se mais acentuado nos setores de serviços e comércio, que lideraram as admissões com carteira assinada entre janeiro e julho. Quem ocupa esses postos atualmente recebe até 82,5% do salário de quem foi desligado. Os números não consideram a inflação dos últimos 12 meses, que, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), acumula 4,3%.
 
As conclusões foram obtidas por meio de cruzamentos de dados do balanço mensal do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), sobre as 20 profissões que mais contrataram na Baixada Santista. Entre janeiro e julho deste ano, o valor médio dos vencimentos iniciais (quem acaba de entrar numa empresa) na região foi de R$ 1.253,09. Já a média salarial dessas categorias (quem já ocupa o posto) era de R$ 1.378,36.
 
Segundo as informações divulgadas pelo Ministério do Trabalho nesta semana, no mesmo período o salário médio de admissão no País foi de R$ 1.536,12, sendo que o ganho médio dos demitidos era de R$ 1.692,42. O resultado nacional entre quem foi demitido e aquele que entrou no mercado profissional foi de 0,1 ponto percentual acima do verificado na região.
 
Salário menor
 
O cargo de auxiliar de escritório foi o que mais promoveu trocas de trabalhadores na região. Nos sete primeiros meses do ano, foram 3,9 mil contratações, frente a 3.861 desligamentos – um saldo de 39. O salário médio, que era de R$ 1.168,94, achatou-se para R$ 939,97. Trata-se de uma diferença negativa de 19,6%.
 
“As empresas estão cortando gastos, inclusive na folha de pagamento. Cargos que não exigem muito conhecimento específico ou técnico são os mais sensíveis”, pondera o economista Fernando Chagas. Educação contínua e formação em áreas de inovação tecnológica são indicadas por ele para combater esse cenário.
 
A função de assistente administrativo foi a que teve a maior queda salarial e números parecidos na contratação e desligamentos (1.586 e 1.585, respectivamente). Com isso, os vencimentos médios despencaram de R$ 1.558,38 para R$ 1.055,31. Trata-se de uma retração de 32,3%. 
 
Cargo que mais demitiu na região, o vendedor de comércio varejista viu seu salário despencar 13,3% (de R$ 1.342,58 para R$ 1.163,55). No mesmo período foram eliminadas 680 vagas (diferença entre 4.132 demissões e 3.452 contratações).
 
Hiato maior
 
De janeiro a julho do ano passado, quem era contratado recebia, em média, 6,6% menos de quem foi demitido. Considerando a inflação do período, o trabalhador que consegue registro na carteira hoje recebe R$ 1 a cada R$ 10 a menos em relação aos contratados em 2017. 
 
Apesar de indicar “avanços importantes” da reforma trabalhista aprovada no ano passado, Chagas assegura que o texto retirou parcela de direitos dos profissionais. “O mais grave foi tirar o poder de negociação dos trabalhadores”. 
 
Esse argumento também é citado pela pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Marilane Teixeira.
 
Na comparação com o período do ano passado, o trabalhador regional registrou um ganho salarial de 2,57%. Se considerar a inflação, a massa salarial teve uma variação negativa de 1,8%. 
 
“O empresariado está inseguro com o cenário nacional, que ainda sente os reflexos da recessão econômica, e também com a incerteza eleitoral. E isso é verificado nas remunerações”, arremata Chagas.
 
Fechadas
 
Conforme os dados do Caged, entre janeiro e julho, as cidades verificaram um deficit de 3.097 vagas – balanço entre as 58.229 vagas abertas e as 61.326 fechadas. No mesmo período de 2017, a retração do mercado de trabalho foi ainda maior. 
 
Juntas, as nove cidades tiveram uma queda de 8.060 postos – foram 54.433 contratações e 62.493 desligamentos. O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz, afirma que a recuperação dos empregos permanece lenta para repor os postos perdidos com a recessão econômica. Entre 2015 e 2017, o País fechou mais de 2,8 milhões de vagas com carteira assinada. 
 
Ele pondera que é justamente a alta taxa de rotatividade no mercado de trabalho (muitos desligamentos e pouca permanência nos empregos) que permite salários inferiores nas mesmas vagas. E indica que, em muitos casos, o empresário demite um trabalhador com mais tempo de registro para contratar outro que vai receber menos. 
 
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