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19/12/2018 - 03h25
Salário no setor público cresce mais que o dobro do privado desde 99
Fonte: Valor Econômico


Os salários médios do funcionalismo público subiram de duas a três vezes mais em termos reais (descontada a inflação) do que a remuneração do restante da sociedade, de 1999 a 2017, mostra levantamento da consultoria Idados, realizado a partir da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho.
O levantamento mostra que a remuneração média do funcionalismo do Poder Executivo -- nas esferas municipal, estadual e federal -- foi a que mais cresceu no período, ao passar de R$ 2.518,41 em 1999 para R$ 3.763,48 em 2017, um ganho real de 49%. Esses reajustes foram maiores especialmente de 2006 a 2014, fase de maior bonança fiscal.
"Houve no período uma política de valorização desses servidores pelos governos. O governo Lula, por exemplo, valorizou bastante o salário dos servidores", disse Thais Barcellos, pesquisadora do Idados e autora do levantamento. "Salários maiores, em tese, atrairiam pessoas mais qualificadas. Mas tenho dúvidas se a produtividade do setor público melhorou."
De 1999 a 2017, o rendimento médio do setor privado cresceu menos: 14% de ganho real, de R$ 1.991,86 para R$ 2.271,91 -- ou seja, um terço do concedido aos servidores do Poder Executivo. O valor refere-se aos empregos com carteira assinada, sem considerar portanto, o mercado de trabalho informal, que remunera pior e cresceu na crise.
Mesmo com os generosos reajustes a servidores do Executivo, os maiores salários médios permanecem no Judiciário. De acordo com o levantamento do Idados, os ganhos médios foram de R$ 12.157,88 no ano passado, 36% a mais, em termos reais, do que o verificado em 1999. Esses salários incluem o Poder Judiciário federal e estadual e as defensorias públicas. "O valor inclui tanto os juízes quanto os servidores desses poderes", explicou a pesquisadora.
A diferença salarial do Judiciário para o restante da sociedade tende a se ampliar a partir de 1º de janeiro, quando os vencimentos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do procurador-geral da República serão aumentados em 16,38% -- para R$ 39,2 mil. Por ser o teto dos salários de servidores públicos, o salário dos ministros do STF serve de base para os salários de todos os magistrados do país.
No poder legislativo, por sua vez, os servidores recebiam, em média, R$ 5.992,46 no ano passado, o que representa um ganho real acumulado de 33% desde 1999 (R$ 4.504,83). Os valores correspondem ao salário médio mensal do Legislativo federal, estadual, e municipal. Não inclui os cargos eletivos, que não são declarados na Rais.
O levantamento do Idados também comparou as diferenças salariais do setor público para o privado considerando o nível de escolaridade. A conclusão é que os salários no setor público também são maiores em todos os níveis. Uma pessoa com ensino superior completo ganha R$ 4.453,07 no setor privado e R$ 5.681,28 no setor público, diferença de 21,6%. Com ensino médio incompleto, a diferença é de 15%, de R$ 1,774,74 e R$ 1.502,10, respectivamente.






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