Notícias

20/05/2016 - 05h27

Salta de 6 para 17 número de estados com desemprego de dois dígitos

Fonte: Extra/RJ
 
Maiores taxas estão na Bahia (15,5%), Rio Grande do Norte (14,3%) e Amapá (14,3%), diz IBGE

 
Na passagem do último trimestre de 2015 para o primeiro deste ano, saltou de 6 para 17 o número de estados com desemprego de dois dígitos, mais o Distrito Federal. As maiores taxas no 1º trimestre de 2016 foram observadas na Bahia (15,5%), Rio Grande do Norte (14,3%) e Amapá (14,3%). Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua Trimestral para Brasil, Grandes Regiões e Unidades da Federação. Dos 17 estados com desemprego de dois dígitos, 10 têm taxas maiores do que a média nacional para o mesmo período, que ficou em 10,9% - a maior da série histórica, iniciada em 2012 -, atingindo 11,1 milhões de pessoas. Todos os 26 estados registraram aumento do desemprego na passagem de trimestre, sendo maior no Amazonas (alta de 3,6 pontos percentuais, para 12,7%). Na passagem de um ano, houve alta em 24 unidades da federação - o maior crescimento foi em Pernambuco, de 5,1 pontos, para 13,3%.
 
- Houve um aumento expressivo e generalizado em todo o território nacional do desemprego, causado pela perda de postos de trabalho, principalmente pela perda de postos com carteira de trabalho - resumiu Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.
 
Ele pondera, que na passagem de ano sempre há um aumento da taxa em razão do desligamentos dos temporários, mas a crise intensificou essa alta. Bruno Ottoni, especialista em mercado de trabalho do Ibre/FGV, observa que os dados mostram que as empresas decidiram de vez fazer o ajuste via demissões:
 
- Primeiro as empresas ajustam as horas trabalhadas, reduzem jornadas, aplicam lay off. Mas diante da falta de perspectiva de crescimento este ano, decidiram demitir.
 
Por região, a taxa de desemprego do Nordeste atingiu 12,8% no primeiro trimestre de 2016 é a maior do país. A taxa é 1,9 ponto percentual maior do que a média nacional para o período. A segunda maior taxa de desemprego está no Sudeste (11,4%), que também ficou acima da média nacional, seguida pelo Norte (10,5%), Centro-Oeste (9,7%) e Sul (7,3%), única região onde todos os estados têm desemprego inferior aos dois dígitos. De acordo com o IBGE, o desemprego cresceu em todas as cinco regiões tanto na comparação com o trimestre anterior, encerrado em dezembro de 2015, quanto com o mesmo período do ano passado.
 
Historicamente, explica Azeredo, Norte e Nordeste têm taxas de desemprego maiores do que o Sul em razão das características bastante antagônicas dos dois mercados:
 
- No Nordeste você tem uma população mais jovem, portanto menos experiente, um desenvolvimento econômico e industrial bem inferior ao observado nas outras regiões, menor nível de escolaridade e mais informalidade. Já no Sul você tem um processo processo completamente diferenciadado. Até a informalidade, que é menor, é mais organizada. Você tem ainda um processo de desenvolvimento econômico diferenciado, maior nível de escolaridade.
 
De acordo com as projeções da FGV, a combinação demissões e aumento do grupo que procura, impactado por gente que estava fora do mercado e passa a buscar emprego, vai fazer com que a taxa cresça gradativamente até o fim do ano, quando deve encerrar em 12,5%. Cenário que deve se estabilizar em 2017, quando as empresas devem, em vez de demitir, voltar a fazer algumas contratações
 
- Para quem está sem emprego o cenário é muito ruim esse ano porque o grupo que procura só tende a crescer. Mas, em 2017, com a perspectiva de a economia não retrair ou até crescer alguns décimos, as empresas devem voltar a contratar e estancar as demissões. No entanto, como o grupo que procura ainda continuará grande e fazendo pressão, não haverá queda da taxa, mas uma estabilização em cerca de 12,7% ao fim do ano - explica Ottoni. 
 
Com relação aos salários, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores ficou acima da média do Brasil, que foi de R$1.966, nas regiões Sudeste (R$ 2.299), Centro-Oeste (R$ 2.200) e Sul (R$ 2.098), enquanto Norte (R$ 1.481) e Nordeste (R$ 1.323) ficaram abaixo da média. Na análise por estados, o Distrito Federal apresentou o maior rendimento (R$ 3.598), seguido por São Paulo (R$ 2.588) e Rio de Janeiro (R$ 2.263). Os menores rendimentos foram registrados no Maranhão (R$ 1.032), Piauí (R$ 1.263) e Ceará (R$ 1.285).
 
A soma dos salários de toda a população empregada, a massa de rendimento médio real habitual dos ocupadas, ficou em R$ 90,6 bilhões na região Sudeste, R$ 29,5 bilhões no Sul, R$ 27,6 bilhões no Nordeste, R$ 15,7 bilhões no Centro-Oeste e R$ 9,8 bilhões no Norte.
 
A Pnad Contínua referente ao ano de 2015 mostrou que contingente de desocupados passou de 6,7 milhões de pessoas em 2014 para 8,6 milhões, quase 2 milhões de desempregados a mais. A taxa média de desemprego ficou em 8,5% no ano passado e foi a maior da série histórica do estudo.
 
Imprimir Indique Comente

« Voltar

Galeria de
Imagens

Ver todas