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04/05/2015 - 03h57
Santos contabiliza perdas com incêndio na Ultracargo
Fonte: Valor Econômico

Passados quase 20 dias do fim do incêndio na Ultracargo, em Santos (SP), empresas que tiveram as operações prejudicadas pela interdição parcial do porto calculam o prejuízo e se preparam para entrar na Justiça caso o seguro da Ultracargo não cubra os danos a terceiros. As apólices de responsabilidade civil não cobrem prejuízos resultantes de ações ou omissões, nem decorrentes do não cumprimento de normas legais e regulamentares.

Passados quase 20 dias do fim do incêndio na Ultracargo, em Santos (SP), empresas que tiveram as operações prejudicadas pela interdição parcial do porto calculam o prejuízo e se preparam para entrar na Justiça caso o seguro da Ultracargo não cubra os danos a terceiros. As apólices de responsabilidade civil não cobrem prejuízos resultantes de ações ou omissões, nem decorrentes do não cumprimento de normas legais e regulamentares.
A Polícia Civil, que apura a causa do incêndio, tem 30 dias para concluir o inquérito, mas ele pode ser sucessivamente renovado. O incêndio durou de 2 a 10 de abril, restringindo a movimentação de caminhões na margem direita do porto e prejudicando a operação de todos os terminais desse lado. O Valor apurou que há terminais estudando se caberia pedir ao governo o reequilíbrio econômicofinanceiro do contrato da área arrendada no porto devido às perdas de movimentação.
"Por enquanto temos fôlego para esperar", diz o presidente da Brasil Terminal Portuário (BTP), Antonio Passaro. A BTP foi uma das instalações mais afetadas. Ficou parada por nove dias. Inaugurado em 2013, o terminal da BTP fica próximo à Ultracargo e serviu de passagem para as mangueiras usadas no bombeamento de água do canal do porto para resfriar os tanques.
Mesmo depois do fogo aplacado, a BTP reabriu subaproveitada porque a avenida portuária permaneceu interditada para os trabalhos de rescaldo e reparos na via somente na semana passada voltou à plena carga. No total, a BTP perdeu 20 janelas de atracação de navios, deixando de embarcar ou desembarcar cerca de 20 mil contêineres o equivalente a 25% do que o terminal faz por mês. Segundo Passaro, o dano financeiro ainda está sendo computado, mas não é possível dizer que o impacto no faturamento foi proporcional à queda dos volumes, pois há diferentes preços para cada tipo de contêiner. "Não é só questão de carga e descarga dos navios, é tudo o que vem atrás, serviços como armazenagem e outros que prestamos tanto aos armadores quando aos importadores e exportadores". Contudo, o executivo disse que os clientes não pediram contrapartida pela paralisação do terminal.
"Primeiro será feita uma tentativa de composição amigável, e, se isso não for possível, o caminho natural será uma ação", disse um operador portuário que pediu sigilo. Ele perdeu a movimentação de cerca de 2 mil veículos e pelo menos um navio, além de contêineres que ficaram presos.
A Caterpillar, fabricante de máquinas e veículos pesados, sofreu atraso em uma linha de produção no Brasil porque cargas importadas ficaram retidas. "Tivemos de fazer um contingenciamento interno na nossa fábrica", informou a assessoria da empresa. Houve atraso no processo de produção, mas que não comprometeu o resultado final, afirmou a empresa de origem americana.
A Volkswagen também sofreu atrasos na movimentação de cargas no porto, mas os danos foram minimizados porque ela usou os terminais localizados na outra margem do cais, em Guarujá.
No TGrão, as operações de embarque caíram pela metade durante o incêndio. Normalmente são embarcadas 20 mil toneladas/dia no navio e naquele período o volume caiu para 10 mil toneladas/dia. Da mesma forma, nos dias normais o terminal recebe cerca de 250 caminhões por dia e, durante o incêndio, passou a atender 60. Sobre prejuízos financeiros, o TGrão disse não ter como quantificar o dano, mas informou, via assessoria de imprensa, que "o prejuízo foi grande".
Também afetado, o Ecoporto Santos ainda está contabilizando os prejuízos e não tem um posicionamento fechado a respeito dos procedimentos jurídicos que serão adotados.
Assim como as empresas, a Prefeitura de Santos está levantando os danos para pedir ressarcimento à Ultracargo. "Desde a alimentação dos bombeiros até a perda de receita", disse o secretário de Assuntos Portuários e Marítimos de Santos, Eduardo Lopes. A atividade portuária responde por dois terços da economia da cidade e é a principal fonte de arrecadação do Imposto sobre Serviços (ISS) do município.
O Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral e dos Arrumadores de Santos e região entrou na Justiça contra a Ultracargo. A associação pleiteia a indenização por danos morais e materiais causados aos trabalhadores e ao sindicato, que faz a intermediação dessa mão de obra avulsa. "O trabalhador ficou parado durante dez dias. Foram 500 postos de trabalho que deixaram de ganhar, o equivalente a R$ 700 mil em perdas", disse presidente do sindicato, Francisco Pereira.
A Ultracargo foi multada pela Cetesb em R$ 22,5 milhões pelos danos ambientais, mas está estudando formas de reduzir o valor. Só de espuma comprada para abafar o fogo a empresa gastou R$ 30 milhões.