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25/08/2014 - 03h00
Sem finalizar dados após fim da greve, IBGE não divulga taxa de desemprego
Fonte: Folha de S. Paulo
Mesmo após o fim da greve do IBGE, a pesquisa mensal de emprego ficou comprometida e os dados de julho não foram divulgados por completo, sem uma média da taxa de desemprego.
Mesmo após o fim da greve do IBGE, a pesquisa mensal de emprego ficou comprometida e os dados de julho não foram divulgados por completo, sem uma média da taxa de desemprego.
Os números deveriam ter sido divulgados na última quinta-feira (21) pelo órgão.
Trata-se do terceiro mês seguido sem uma taxa das seis regiões pesquisadas por conta do atraso na coleta, análise e processamento dos dados de Porto Alegre e Salvador.
O protesto dos servidores, que durou dois meses e terminou na semana passada, comprometeu a média de desemprego de julho, calculada a partir de resultados das seis regiões metropolitanas do país, porque faltaram dados de Salvador e Porto Alegre.
São as mesmas áreas que não tiveram informações apresentadas em maio e junho.
Não houve, segundo o IBGE, tempo hábil para fazer a crítica e a análise dos dados, que foram coletados em campo. A pesquisa ainda estava sendo concluída antes do fim da greve.
O atraso na coleta dos dados da Pesquisa Mensal de Emprego reduz a qualidade da informação, segundo o IBGE.
O ideal é fazer a entrevista o mais perto possível da semana de referência porque as pessoas podem se esquecer ou confundir se procuraram ou não emprego no período da pesquisa. O IBGE sempre investiga se houve ou não procura na semana anterior à data em que o informante é visitado.
O instituto projeta divulgar em 25 de setembro os dados das duas regiões que não foram apresentados e a média das seis áreas de maio a julho.
DADOS DISPONÍVEIS
Em São Paulo, a taxa ficou em 4,9%, abaixo dos 5,1% de junho. Em julho de 2013, o indicador havia sido de 5,8%.
No Rio, a taxa de desemprego ficou em 3,6% em julho, a mais baixa das quatro regiões que tiveram dados divulgados.
Recife teve um percentual de 6,6%, e Belo Horizonte, de 4,1%.
Os resultados de Belo Horizonte, São Paulo e Rio de janeiro representam o menor patamar da taxa de desemprego para os meses de julho desde 2002, primeiro ano da pesquisa do IBGE.
A taxa média das seis regiões em abril, o último dado disponível, havia sido de 4,9%, o menor patamar para o mês desde o início de série histórica, iniciada em 2002.
O desemprego tem se mantido em patamares historicamente baixos na maioria das regiões pesquisadas diante da saída de trabalhadores do mercado, em especial jovens e mulheres.
É o caso de São Paulo, onde a taxa recuou em julho, apesar de não terem sido criados novos postos de trabalho. O número de ocupados na região metropolitana caiu 0,2% (16 mil vagas) frente a junho e 1,3% (128 mil) ante julho de 2013.
Nessa região metropolitana, principal mercado de trabalho do país, a renda média do trabalhador caiu 0,5% de junho para junho. Estimado em R$ 2.102,70, o rendimento teve alta de 1,6% frente a julho de 2013.
Segundo Adriana Berenguy, técnica do IBGE, a taxa de desemprego nas maiores regiões do país (Rio e São Paulo) caem por conta da menor procura, com a queda dos trabalhadores desocupados, que migram para a inatividade. O perfil desse grupo composto por jovens, pessoas mais velhas (acima de 50 ou 60 anos) e mulheres.
Diante da queda do número de vagas abertas, a Rosemberg & Associados diz que o tão esperado processo de desaquecimento do mercado de trabalho, necessário para reduzir as pressões inflacionárias, já está em curso."
"Todavia, este processo está apenas começando e deverá se intensificar nos próximos meses", aponta a consultoria em relatório.
INATIVOS
Os dados mostram que cresceu o número de pessoas que não trabalham nem procuram emprego. Esse contingente, que agrupa os chamados de inativos, cresceu 1,2% em na comparação com junho (32 mil pessoas) e 6,3% em relação a julho de 2013 (103 mil pessoas).
Esse contingente que antes estava empregado ou buscava uma colocação, e era considerada economicamente ativa, recuou 0,3% em São Paulo na comparação com junho e 1,3% frente julho de 2013 (217 mil pessoas).
Tal movimento pode estar relacionado com o esfriamento da economia. Diante de menos oportunidades ou propostas com remuneração mais baixa, esses grupos, que, em geral, não são os provedores principais das famílias, saem do mercado para se qualificar ou cuidar dos filhos à espera de uma melhor colocação.
Outra hipótese é o desalento, que leva as pessoas a desistirem de buscar emprego em tempos mais difíceis e mercado de trabalho restrito.
FIM DE GREVE
A greve acabou após acordo entre a direção do IBGE, o sindicato e o Ministério de Planejamento para repor pagar os salários que foram descontados, com a compensação por parte dos servidores dos dias parados.
O sindicato, que tinha como principal bandeira a equiparação salarial com outros órgãos do governo, como o Ipea. O pleito não foi atendido.
Mas, no acordo, ficou acertado que a direção do IBGE e o sindicato apresentarão uma proposta conjunta até dezembro para reformular a carreira do IBGE e tentar aproximar os vencimentos a de outros órgãos com salários mais elevados, como o Ipea e o Banco Central.
No nível médio, o salário-base do instituto é R$ 3.160. O sindicato afirma que, no Ipea, a remuneração no mesmo nível é 69% maior, considerando salário-base inicial, sem gratificações por qualificação ou tempo de serviço.
Já nos cargos de nível superior, o salário-base é R$ 4.145,23, e o sindicato calcula que, no Ipea, a remuneração seja 69% superior. Nessa categoria, o salário pode chegar a R$ 8.949,03 (doutorado), sem contar adicionais por tempo de serviço e cargos comissionados.
De novembro de 2012, quando o Congresso aprovou o acordo com 24 categorias (inclusive o IBGE) para o reajuste de 15,8% parcelado em três anos, até maio deste ano o reajuste foi de 10,1%, segundo o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).