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09/11/2015 - 04h05

Sem Usiminas, região terá que buscar novas vocações, alerta especialista

Fonte: A Tribuna On-line / Sandro Thadeu
 
Paralisação da produção de aço em Cubatão representaria fim de ciclo econômico

 
A interrupção parcial das atividades da Usiminas, em Cubatão, acendeu o sinal amarelo para as autoridades da Baixada Santista. Essa situação pode ser sinal do fim de um ciclo de desenvolvimento econômico baseado no Polo Industrial e no Porto de Santos.
 
As constantes transformações nesses setores provocaram intensa queda na necessidade de mão de obra. Por isso, a região metropolitana precisa reconstruir sua vocação no processo produtivo no Estado.
 
O alerta é do economista e professor da Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Praia Grande, João Carlos Gomes. “Não dá para imaginar que uma região tão populosa como a nossa continue a depender quase que exclusivamente do comércio e dos serviços”, destaca.
 
Se essa nova vocação não for descoberta, o especialista aponta que o processo de “periferização” das cidades locais tende a se intensificar com o fechamento de postos de trabalho na área industrial. Trata-se de um cenário temerário, tendo em vista a grande quantidade de famílias de baixa renda.
 
Conforme o professor, o Centro Paula Souza, órgão ligado ao Governo do Estado, fez um levantamento e apontou que a vocação local está associada às áreas de logística e tecnologia da informação. Diante disso, é preciso que as prefeituras e a Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem) criem condições favoráveis para o desenvolvimento desse setores.
 
“Universidades, empresas e Poder Público precisam se reunir em uma agenda permanente para equacionar, de forma estratégica, o papel da região em médio e a longo prazos. Não temos no papel um diagnóstico claro, até para formar mão de obra. Isso torna o cenário nebuloso, impedindo pensar dez anos à frente”, cita.
 
Por exemplo, o professor defende que é possível pensar em projetos retroportuários para a Área Continental de São Vicente e para Praia Grande. Isso geraria muitos empregos e com salários superiores aos de comércio e de serviços.
 
O especialista crê que a demissão em massa na Usiminas afetará, principalmente, trabalhadores com alto grau de especialização e que serão obrigados a buscar trabalho em outras regiões do País. Para Gomes, o cenário será pior do que o do início dos anos 1990, na privatização da antiga Cosipa.
 
“Ao contrário daquela época, a empresa possui hoje muitos trabalhadores na faixa dos 40 anos e considerados jovens, com 12, 15 anos de Usiminas, que poderão ser demitidos. Isso vai criar um desalento profissional, porque são pessoas com um salário acima da média da região e que terão de se requalificar em outra área”, explica.
 
Doutor em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), ele cita, ainda, que um reflexo direto é a retração do comércio e de serviços: haverá menos dinheiro em circulação. 
 
Planejamento regional
 
José Pascoal Vaz, professor de Economia da Universidade Católica de Santos (UniSantos), entende que a Agem tem responsabilidade de construir esses cenários, com base em dados confiáveis, para municiar os prefeitos da região.
 
“Há cinco anos era difícil imaginar que uma empresa do porte da Usiminas fosse praticamente encerrar as atividades em Cubatão, mas o Poder Público deve estar sempre preparado para pensar no pior dos mundos”, afirma.
 
Ele destaca que, mesmo com planejamento, o tempo de resposta para suprir o fechamento dessas vagas e o nível salarial previsto nesse cenário não seria imediato.
 
Chance para mudanças
 
Para o vice-reitor do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), economista Adalto Corrêa de Souza Júnior, é possível superar esse momento de crise, caso a siderúrgica não mude os planos.
 
“É na crise que encontramos novas oportunidades. Sei que não será fácil, mas temos outras atividades na região. Nos Estados Unidos, a crise de 2008 fez com que muitas empresas de grande porte fechassem as portas, provocando o surgimento de cidades fantasmas. Hoje, elas já estão se recuperando”, menciona.
 
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