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12/01/2015 - 02h45

Ser mulher é desvantagem?

Fonte: Época
 
As executivas sentem que precisam se preparar mais que os homens e entregar melhores resultados para receber as mesmas oportunidades e recompensas. Um estudo inédito mostra esta e outras lacunas que trazem à tona as questões de gênero no ambiente corporativo


 
Em tese, homens e mulheres têm direitos iguais no mercado de trabalho. Na prática, diversas pesquisas mostram que não é bem assim. Uma diferença mensurável é a de remuneração. No mundo, a defasagem dos salários femininos em relação aos masculinos é de 22,9%. No Brasil, a diferença média é ainda maior, 27%, segundo um dado deste ano da Organização Internacional do Trabalho, agência das Nações Unidas que tem por objetivo promover oportunidades de trabalho igualmente decentes e produtivas para homens e mulheres.
 
A consultoria de recursos humanos DMRH e a empresa de pesquisa Nextview reuniram essa e outras informações de estudos passados como ponto de partida para uma pesquisa sobre as diferenças entre a liderança das mulheres e a dos homens. O levantamento – apresentado a NEGÓCIOS com exclusividade – incluiu entrevistas, via questionário online, com 2.151 executivos em cargos de gerência sênior, diretoria, vice-presidência e presidência de empresas no país. O objetivo do trabalho era entender a percepção dos executivos e executivas brasileiros sobre a liderança feminina. “As pessoas perguntam: ‘Para que falar de liderança feminina em 2014?’”, afirma Danilca Galdini, sócia-diretora da DMRH. “Como se essa questão estivesse resolvida. Mas é só olhar para a realidade para ver que não está.”
 
Ela se refere às lacunas entre o discurso de homens e mulheres e o que relatam ver no dia a dia das companhias. Por exemplo, entre os homens, 77% dizem concordar totalmente que as colegas estão preparadas tecnicamente para assumir postos de liderança. Entre elas, a convicção é maior, 90% acreditam estar prontas para o desafio. A resposta “concordo em parte” foi escolhida por 19% dos homens, em relação a 7% das mulheres.
 
A maioria dos entrevistados concorda em parte que o estilo de liderança feminino é bem aceito pelo mercado de trabalho – 59% dos homens e 52% das mulheres. De novo, as mulheres têm uma avaliação mais positiva sobre si mesmas do que os executivos. Vinte e três por cento delas concorda totalmente com essa afirmação, contra 20% dos homens.
 
Uma questão que apresentou uma importante diferença entre respostas femininas e masculinas foi em relação à afirmação: “As mulheres precisam mostrar mais resultados do que os homens para ganhar as mesmas recompensas que eles”. Cinquenta e oito por cento das mulheres concorda totalmente com a frase, em comparação a apenas 21% dos homens. Entre os que discordam totalmente, 33% foram homens, e 12%, mulheres.
 
Chama a atenção um número elevado de mulheres em cargos de vice-presidência que concordam totalmente com a afirmação de que precisam de mais esforço para conquistar as mesmas recompensas: 86% das respondentes ocupavam essa posição.
 
As mulheres precisam de mais qualificação que os homens para serem consideradas para cargos de gestão? Metade delas diz que sim, concordam plenamente com isso, e apenas 13% dos homens dão a mesma resposta. Entre os que discordam totalmente, estão 40% dos homens e 19% das mulheres.
 
As diferenças de percepção entre os gêneros também ficam claras na afirmativa de que “as mulheres que ocupam cargos executivos precisam adotar comportamentos comuns entre os homens”. Quarenta e dois por cento dos homens concordam em parte com essa afirmação, enquanto 46% das mulheres concordam totalmente.
 
As respostas acima mostram que há uma sensação de desigualdade na oferta de oportunidades e recompensa por parte das mulheres. Mesmo assim, a maioria das mulheres não se considera vítima de descriminação de gênero, “mesmo diante de fatos e de reconhecer práticas contra as mulheres”, afirmam os autores do estudo. Quando questionadas sobre a criação de cotas para mulheres em cargos executivos, 57% delas discordam totalmente, assim como 83% dos homens.
 
Outra questão apresenta a frase: “A dificuldade de chegar aos cargos executivos está na falta de oportunidades ou de visibilidade delas”. Trinta e três por cento das mulheres concorda em parte com essa afirmativa. Já 36% dos homens discordam totalmente. O obstáculo seria, então, falta de motivação? Discordam totalmente desta hipótese 45% das mulheres e 57% dos homens.
 
Entre as ações inclusivas mais bem cotadas, entre homens e mulheres, apareceram no levantamento, nesta ordem: regimes de trabalho flexíveis e benefícios que ajudaram a equilibrar compromissos profissionais e pessoais; recrutar e promover a partir de diversos conjuntos de candidatos; e oferecer bons exemplos, uma vez que a diversidade na chefia promove a diversidade em toda a organização.
 
A pergunta final da pesquisa é: “Você acha que há diferenças na maneira de liderar de homens e mulheres?”. No total, 58% das pessoas disseram que sim. Destes, 73% são mulheres, e 53%, homens.
 
As questões seguintes são: até quando haverá as disparidades de oportunidades e recompensas? E o que efetivamente pode ser feito para mudar a situação?
 
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