Notícias
09/12/2013 - 02h19
Setor de cruzeiros fica estagnado em 2014, prevê a MSC
Fonte: Valor Econômico
Dois anos seguidos de maré parada na economia tiraram a velocidade do turismo marítimo no país, com impacto direto na líder do setor.
Depois de desacelerar a taxa de expansão no embarque de passageiros entre 2012 e 2013, a MSC Cruzeiros traçou rota de estagnação para 2014.
A empresa, que responde por 47% dos viajantes nesse segmento turístico no Brasil, diz que a oferta este ano cresce 10% ante a temporada passada, mas ficará estabilizada ano que vem.
“Pode até haver uma pequena queda”, disse o diretor de marketing e comercial para a MSC Cruzeiros no Brasil, Adrian Ursilli.
O executivo conta que a carga tributária e a infraestrutura portuária no país fazem com que os custos operacionais dos operadores de cruzeiros marítimos no Brasil sejam mais de 20% superiores às médias registradas no exterior.
Carquejeiro Ursilli, da MSC Cruzeiros, vê espaço para ganhar fatia de mercado mesmo com demanda menos aquecida.
“Quando a economia vai bem, alguns problemas aparecem menos. Mas quando a economia vai mal aparecem os gargalos de infraestrutura, de tributos de gastos que são muito maiores que lá fora”, disse o executivo.
Segundo Ursilli, os custos de praticagem [auxílio aos comandantes nas manobras nos portos], por exemplo, chegam a ser até 11 vezes mais elevados que os principais portos do mundo, como o porto de Barcelona, na Espanha.
Já o Produto Interno Bruto (PIB), que havia crescido 7,5% em 2010, desacelerou para 2,7% em 2011; e 1% no ano passado. No terceiro trimestre deste ano ante mesmo período de 2012, o PIB cresce 2,2%.
O executivo da MSC Cruzeiros cita ainda fatores conjunturais além dos estruturais para justificar a estagnação no ritmo de crescimento dos cruzeiros marítimos no Brasil. “Vamos ter um ano atípico em 2014, com a Copa e as eleições”, disse Ursilli. “Isso acaba mexendo com a decisão de compra dos turistas”.
Segundo dados da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Abremar), 732 mil passageiros foram transportados por 15 navios em cruzeiros marítimos na temporada entre novembro de 2012 e abril de 2013, ante 805,2 mil em 17 navios no exercício anterior, entre outubro de 2011 e maio de 2012 – uma queda de 9%.
Foi o fim de um ciclo em que o número de viajantes de cruzeiros subiu de 720 mil, na temporada entre outubro de 2009 e maio de 2010, para 805 mil no semestre entre outubro de 2011 a maio de 2012.
“Conquistamos taxas de expansão puxadas pelo aumento da classe média, como ocorreu com outros setores, caso da aviação”, diz Ursilli.
Para a temporada de viagens que segue até abril, a MSC Cruzeiros projeta transportar 304 hóspedes, ante 302,5 mil turistas atendidos entre outubro de 2010 e maio de 2011.
O diretor da MSC Cruzeiros no Brasil diz que apesar de um ambiente menos favorável ao aumento de oferta superior a dois dígitos, a empresa vai registrar crescimento de participação de mercado por causa da retração do setor.
“Vamos manter o número de navios, mas teremos mais lugares com a chegada do Preziosa”, disse sobre a embarcação com capacidade para até 4,345 mil hóspedes.
A companhia opera no Brasil ainda com os navios Magnifica, de 3,1 mil lugares, Orchestra (3,1 mil) e Lírica, atendendo roteiros para destinos que incluem Buenos Aires, Punta Del Leste, Montevidéu, Búzios, Ilha Bela, Salvador e Rio de Janeiro.
Apesar de projetar duas temporadas seguidas de estagnação para oferta e demanda no turístico de cruzeiros, o diretor da MSC afirma que esse setor já construiu uma base consolidada no mercado, com espaço amplo para seguir crescendo na medida em que a atividade econômica recupere o fôlego, a infraestrutura portuária caminhe e a tributação seja aliviada.
“Transportamos [o setor de cruzeiros] cinco milhões de passageiros em dez anos. Isso é menos da metade da população economicamente ativa, de mais de 25 milhões de pessoas, sem falar na classe média emergente. Há muito espaço para crescimento”, disse Ursilli.