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13/10/2014 - 03h39

Sindicalistas perderão força no Congresso em 2015

Fonte: O Globo

Número de integrantes da bancada diminuirá de 83 para 46; grupo ruralista aumentará de 205 para 263

 
A renovação da Câmara Federal nas eleições deste ano provocou mudanças significativas em bancadas que costumam ter atuação marcante na Casa. Houve, por exemplo, uma queda acentuada no número de representantes da área sindical. Segundo um levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a bancada desse setor vai diminuir de 83 deputados para 46, que assumirão em 2015. Desses 46, 32 foram reeleitos e 14 são novatos.
 
Para o diretor de documentação do Diap, Antônio Augusto de Queiroz, a redução no número de parlamentares sindicalistas se deve a fatores como o menor investimento em campanhas e a decisão dos partidos de não priorizar as candidaturas do segmento. O PT, por exemplo, acabou dando maior apoio a candidaturas de políticos da máquina pública, como ex-secretários da legenda.
 
— A bancada sindicalista sofreu esse revés essencialmente por conta dos custos de campanha. Os sindicalistas não têm a cultura de pedir aos empresários, ficam em desvantagem, dependem do voto de opinião e da militância. O próprio PT mudou seu perfil e não tem dado o devido espaço aos candidatos de origem sindical — disse Queiroz.
 
Entre os sindicalistas que não conseguiram se reeleger no último domingo estão Devanir Ribeiro (PT-SP), amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e metalúrgico como ele, que está em seu terceiro mandato. Também não foram eleitos os deputados Policarpo (PT-DF), João Dado (SD-SP), e Fernando Ferro (PT-PE) ligados a sindicatos dos servidores públicos, Assis Melo (PC do B-RS) e Roberto Santiago (PSD-SP). Não concorreram às eleições deste ano sindicalistas históricos como Doutor Rosinha (PT-PR) e e Ricardo Berzoini (PT-SP). De acordo com Queiroz, a cada eleição, a bancada sindicalista sofre oscilações. Em 1988, foram eleitos 44 sindicalistas e, em 2002, 74. Em 2006, caiu para 54 parlamentares, subindo novamente na última eleição.
 
MENOS DEFENSORES DE TEMAS POLÊMICOS
 
Também houve redução no número já diminuto de deputados que defendem os direitos humanos e temas polêmicos, como o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a criminalização da homofobia. Ainda que não tenha quantitativo desse grupo, parlamentares ligados ao tema são unânimes em assegurar que houve perda de defensores da causa. A não recondução de alguns deputados desse grupo — casos de Nilmário Miranda (PT-MG), Iriny Lopes (PT-ES), Janete Pietá (PT-SP) e Domingos Dutra (SD) — dão a percepção de que essa bancada perdeu força. Em contrapartida, as urnas reforçaram a presença de deputados que defendem a segurança pública, conhecida como bancada da bala ou a turma da linha-dura.
 
Houve um aumento da representação de policiais com mandato na Câmara. Presidente da Frente da Segurança Pública, o deputado Fernando Francischini (SD-PR) diz que, hoje, esse grupo conta com 250 apoiadores, mas que não são empenhados na aprovação de projetos dessa área. O parlamentar está empolgado com a nova safra que saiu das urnas, com a eleição de muitos delegados e outros defensores dessas causas.
 
— Agora sim, teremos uma bancada da segurança pública. Quem sabe semelhante à bancada evangélica — disse Francischini.
 
O Diap está finalizando um levantamento sobre a eleição e reeleição de parentes de políticos para a Câmara. Houve aumento em relação a 2010, com 78 deputados e deputadas com vínculos familiares. Em 2015, o número da ‘‘bancada de parentes’’ subirá para 82, sendo 42 novos e 40 reeleitos.
 
Reunida ontem, a bancada ruralista acredita que vai dar um salto. Líderes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) calculam que o grupo sairá dos atuais 205 para 263. Esse é o número de apoiadores, na verdade. O presidente da frente, Luís Carlos Heinze (PP-RS), eleito com a maior votação no estado, afirmou que a bancada se fortalecerá e terá mais força para atuar contra temas como demarcação de terras indígenas:
 
— A bancada vem mais forte, com sangue novo, com prestígio em alta e mais entusiasmada.
 
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