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29/08/2016 - 05h06

Site para quem busca "bicos" tem alta de 400% em cadastros

Fonte: Valor Econômico
 
Além dos dados registrados pelo IBGE na pesquisa sobre mercado de trabalho, há outros indícios de que a oferta de prestadores de serviços tem aumentado no país. O site Bicos (www.bicos.com.br), plataforma para a contratação de profissionais freelancers, registrou aumento de 400% no número de trabalhadores cadastrados de janeiro a julho, sobre igual período de 2015. Entre serviços gerais para residência, cuidados pessoais, aulas, eventos e transporte - com pessoas também disponíveis para trabalhar em várias funções, oferecendo desde serviços de diarista até aulas de natação. Há 40 mil prestadores, para 10 mil contratantes inscritos.
 
A expectativa era que o número de cadastros como prestador apenas dobrasse no período, conta um dos sócios da empresa, Marcos Botelho. "As pessoas estão tentando conseguir uma receita extra, ou alguma receita", diz Botelho, para quem o desequilíbrio entre a oferta e a demanda de profissionais no site está relacionado ao desaquecimento do mercado de trabalho. "Esse aumento da oferta está ajudando a equilibrar os preços. Hoje, há mais opções para os contratantes cotarem", afirmou.
 
Do total de prestadores que oferecem seus serviços na plataforma, cerca de 80% são informais, embora o Bicos tente incentivar a formalização como meio de aumentar a renda e a previsibilidade do orçamento de seus cadastrados. O site tem uma seção em que indica opções como o Microempreendedor Individual (MEI) e o recibo de pagamento autônomo.
 
De acordo com o Portal do Empreendedor do governo federal, havia 6,289 milhões de microempreendedores individuais ativos no país até o fim de julho, crescimento de 12,5% em relação a dezembro do ano passado, quando eram 5,58 milhões de microempreendedores individuais. Segundo o Perfil do MEI, levantamento do Sebrae, a participação dos serviços nesse tipo de pequeno negócio aumentou gradualmente nos últimos anos, e passou de 36,6% para 37,2% entre 2014 e 2015.
 
Ainda segundo a última edição da pesquisa, 45% dos MEIs eram empregados com carteira assinada antes de abrirem seus próprios negócios. No levantamento anterior, feitos em 2013, essa fatia era menor, de 41%. Esse dado, diz Rafael Bacciotti, economista da Tendências Consultoria, mostra que existe relação entre a redução de vagas formais e o aumento no contingente de trabalhadores por conta própria - onde se encaixam os MEIs nas pesquisas do IBGE. "Essa parcela aumentou de maneira significativa desde que o emprego formal começou a cair", diz.
 
Nos 12 meses encerrados em junho, o número de ocupados por conta própria avançou 4,8%, ao passo que o contingente de trabalhadores com carteira assinada na iniciativa privada caiu 3,6%. Além dos conta própria, a única posição na ocupação com aumento no período foi a de trabalhadores domésticos, com alta de 3,2%.
 
Para Guilherme Afif Domingos, presidente do Sebrae, o MEI tem contribuído para que a informalidade no mercado de trabalho não aumente no período de crise. Em 12 meses, o número de trabalhadores sem carteira assinada no setor privado diminuiu 2,1%. "Já existem no Brasil mais microempreendedores individuais do que micro e pequenas empresas", observa Domingos. Em sua avaliação, o avanço de microempreendedores que prestam serviços ocorre porque criar uma empresa nesse setor, que vinha em forte crescimento nos últimos anos, demanda investimentos menores.
 
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