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07/12/2015 - 04h39

Suspensão de editais divide a ABTP

Fonte: Valor Econômico


 
Insatisfeita com as minutas dos contratos de arrendamentos do leilão nos portos de Santos (SP) e Vila do Conde (PA), a Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) pediu na última quarta-feira (2), em carta, a suspensão dos editais à Secretaria de Portos (SEP), mas depois recuou.
 
“Há empresas associadas interessadas em participar da licitação e o pedido para sustar retardaria o processo. Decidimos apoiar o leilão e depois fazer eventuais ajustes nos contratos”, disse o presidente da ABTP, Wilen Manteli, que afirmou ter pedido ao ministro dos Portos, Helder Barbalho, que desconsiderasse a carta.
 
A ABTP é a maior associação do setor. Representa 82 companhias titulares de mais de 170 terminais de uso privado e arrendados que responderam por cerca de 70% das quase 970 milhões de toneladas movimentadas em 2014 nos portos brasileiros.
 
Alguns associados eram originalmente a favor do pedido de impugnação dos editais junto à agência reguladora do setor, a Antaq. “Prevaleceu a racionalidade”, diz Manteli. O prazo para contestação terminou na última quarta-feira, 2; na sexta-feira, 4 saiu o resultado do julgamento dos pedidos. Até terça-­feira não havia sido protocolado pedido de suspensão do leilão na comissão de licitação.
 
O leilão está marcado para quarta-­feira, na BM&FBovespa, em São Paulo. Está prevista a licitação de quatro áreas ­ três no porto de Santos e uma em Vila do Conde. São as primeiras áreas que serão arrendadas desde a Lei dos Portos, de 2013. Elas integram um pacote de 93 áreas que serão licitadas até 2016.
 
A principal reclamação dos empresários é em relação à insegurança jurídica. Diferentemente das licitações passadas, as minutas desses contratos definem como objeto não o arrendamento da área ou das instalações, mas, sim, a prestação de “atividades”. Isso configuraria uma autorização precária e sem amparo legal no marco regulatório portuário, diz a ABTP.
 
Associados favoráveis ao pedido de impugnação entendem que se as minutas prosperarem elas poderão ser usadas em futuras adaptações de contratos. Outra crítica é que recaem sobre o vencedor da disputa riscos que ele não pode gerir, como mudanças tributárias.
 
“O governo alocou a maior parte dos riscos para o arrendatário. Se você assume mais riscos, vai apresentar uma outorga menor para levar o ativo”, diz o professor de direito regulatório da FGV e sócio do LL Advogados, Rafael Véras, para quem isso pode frustrar a estimativa do governo de arrecadar R$ 1 bilhão em outorgas no leilão.
 
A SEP não comentou a carta da ABTP. Fonte do governo diz que as minutas foram aprovadas após um ano e meio de análise no TCU e que houve 45 dias para manifestação desde a publicação dos editais.
 
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