Notícias
02/08/2018 - 10h11
Trabalhador informal chega a ganhar menos da metade do formal
Fonte: Valor Econômico


Os novos dados trazidos pelo IBGE na Pnad Contínua, que agora desagrega os trabalhadores por conta própria com e sem CNPJ, os domésticos formais e informais e o funcionário público com e sem carteira assinada, evidenciam ainda mais a diferença de renda entre formais e informais.
No setor privado, por exemplo, o trabalhador sem carteira recebeu no trimestre encerrado em junho R$ 1.313, ou 62% dos R$ 2.099 daquele com carteira. No segmento doméstico, a diferença é parecida, os R$ 730 recebidos por quem não é registrado (abaixo do salário mínimo, de R$ 954 mensais) equivale a 60% dos R$ 1.212 do formalizado.
Entre os conta própria a diferença é brutal. Aquele sem CNPJ recebeu R$ 1.264, em média, o equivalente a 41% dos R$ 3.060 ganhos por quem tem o cadastro nacional de pessoa jurídica.
Até o setor público tem o seu contingente sem carteira, que subiu 13% no trimestre. Ali, quem não é formalizado, ganha R$ 1.812, em média, equivalente a 46% do que ganha um militar ou estatutário (R$ 3.965) e metade do que recebe aquele com carteira assinada (R$ 3.659).
Em tempos de crise, o trabalho informal pode ser uma válvula de escape para empresas e governos e também trabalhadores que perderam seus empregos formais. A Pnad divulgada hoje, inclusive, mostra que novamente a informalidade ajudou a reduzir o desemprego. Mas o que talvez esta crise - mais longa que as demais que o país enfrentou - tem mostrado é que o emprego precário não resolve parte do problema, que é gerar segurança e consumo suficiente para girar a roda da economia com mais força.
Mais informais e menos força de trabalho
A Pnad mostra que a redução da taxa de desemprego caiu no trimestre encerrado em junho, na comparação com aquele encerrado em março, foi mais uma vez ajudada pela saída de pessoas do mercado de trabalho e também pelo fato de a população que chegou à chamada idade ativa - acima de 14 anos - sequer ter entrado nesse mercado. Por outro lado, foram criadas novas vagas, boa parte delas precária.
A taxa de desemprego caiu de 13,1% para 12,4% do primeiro para o segundo trimestre deste ano. A população desempregada caiu em 723 mil pessoas por causa da criação de 657 mil empregos e da saída de 66 mil pessoas do mercado de trabalho. A população em idade de trabalhar aumentou em 708 mil, mas todo esse contingente sequer entrou na chamada força de trabalho. Isso fez com que a população fora da força batesse o recorde de 65,64 milhões de pessoas. Uma parte desse contingente é de desalentados, pessoas que não têm mais esperança de conseguir um emprego.
No lado das vagas criadas, enquanto o emprego com carteira assinada perdeu 79 mil trabalhadores, o sem carteira ganhou 276 mil. Dado divulgado pelo IBGE a partir desta Pnad, o contingente sem carteira do setor público tem seu cresceu 13%, ou 279 mil pessoas a mais na comparação com março. E os já conhecidos trabalhadores por conta própria aumentaram em 113 mil pessoas.