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05/02/2013 - 00h11
Trabalhadores, empresários, políticos e MPT se unem contra nova regulamentação dos portos
Fonte: AssCom Sindogeesp


Fica difícil imaginar que alguns poucos apadrinhados políticos, autointitulados técnicos e executivos do seguimento marítimo, possam traçar e ditar os rumos da política portuária nacional. Mais difícil ainda levando-se em conta que o Porto de Santos fica a nada menos que 1.087 km da Capital Federal, principal porto imaginário do País, de onde navegam as normas e regulamentações que regem a atividade, tais como a extinta Lei de Modernização dos Portos e a atual Medida Provisória 595, além de outras pérolas.
Pois bem, desta vez o fiasco cometido pelos tecnocratas, devidamente auxiliados por alguns poucos megaempresários interessados, foi tamanho que acabou mobilizando praticamente todos os seguimentos envolvidos, causando um fato, no mínimo curioso, mas que poderá fazer toda diferença nas relações trabalhistas futuras. De tão absurda, a MP 595 elaborada pela equipe de gênios de Dilma Rousseff conseguiu colocar empresários e trabalhadores do mesmo lado, além de políticos e autoridades constituídas.
Apenas para ter uma ideia da bobagem cometida pelo Governo Federal, até mesmo o tão criticado Ministério Público do Trabalho, autor do polêmico TAC (Termo de Ajustamento e de Conduta) das 11 horas, saiu em defesa do mercado de trabalho dos portuários. A incansável gestão feita pelos sindicatos para neutralizar os efeitos prejudiciais da MP ganhou um aliado de peso na última semana, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que manifestou seu total apoio aos trabalhadores durante encontro no Palácio dos Bandeirantes.
Presente no concorrido evento, o presidente do Sindogeesp, Guilherme do Amaral Távora, foi um dos principais interlocutores dos sindicatos portuários de Santos. “Falei para o governador que a equipe econômica da presidenta Dilma estabeleceu desnecessariamente um clima de preocupação e incertezas sem precedentes na história dos portos, e que tudo isso poderia ter sido evitado se os trabalhadores tivessem participado do processo de formatação da MP”.
Além de Alckmin, em defesa dos trabalhadores portuários estão o prefeito Paulo Alexandre Barbosa, os deputados federais Márcio França (PSB-SP), Beto Mansur (PP) e Paulo Pereira (PDT), o Paulinho da Força. “A participação do governador e das demais lideranças políticas é um fator de extrema importância no andamento desse difícil processo e favorece a luta dos portuários de Santos”, afirmou o dirigente sindical. Ao lado da inusitada frente de batalha formada por sindicalistas, terminais e operadores portuários, e agora também promotores públicos, a bancada paulista tentará transformar a MP 595 em projeto de lei para ser debatido com todos os agentes envolvidos.