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07/08/2015 - 04h39

Trabalho a bordo é alternativa para viajar pelo mundo

Fonte: Jornal do Comércio
 
Trocar experiências com pessoas de várias nações e desenvolver outros idiomas são algumas das vantagens de tripular um cruzeiro

 
Considerando a atual cotação do dólar, trabalhar a bordo de um navio de cruzeiro está cada vez mais atrativo para o bolso de jovens brasileiros interessados em fazer um "pé de meia" para o futuro. Os salários mensais giram em torno de US$ 500 a US$ 2 mil, e as temporadas são de, no mínimo, seis meses, com todas as despesas pagas. Mas a rotina é pesada e desafiadora: são pelo menos 11 horas de trabalho diário, que - independentemente da função do profissional - deve ser excecutado com disciplina adequada às rígidas regras definidas pelas companhias náuticas. Tudo para manter a qualidade do serviço, permitindo que a experiência do passageiro seja a melhor possível. Para quem tem disposição para driblar o cansaço e ampliar o foco, a cereja do bolo é ter uma história que poucos irão contar. "Tenho 25 anos e já conheci 52 países", gaba-se o paulista Felippe Sena, que desde 2011 integra tripulações de transatlânticos em viagens pelo mundo afora.
 
Contratado pelo Starboard (empresa do grupo Louis Vuitton que fornece tripulantes para navios das companhias Costa, Ibero, Royal Caribbean, Celebrity, entre outras), em todas as ocasiões Sena trabalhou como atendente de vendas em free shops de embarcações do Costa Crociere. Além do salário, recebia uma boa comissão. "Só na primeira temporada, que durou oito meses pela costa brasileira, poderia ter juntado em torno de R$ 28 mil", calcula o jovem, que preferiu gastar em compras, além de aproveitar pontos turísticos em diversos países. "Os passageiros do Brasil são os que mais compram em cruzeiros, então foi uma temporada onde ganhei mais", diz.
 
Após quatro anos de experiência, que lhe possibilitaram aprender outros dois idiomas (italiano e holandês), Sena pretende seguir trabalhando em navios, mas quer mudar de função. "Meu foco no processo de seleção que concorro atualmente é no cargo de recepcionista", diz o candidato, que também se comunica em inglês, espanhol, alemão e francês.
 
"O trabalho é intenso, e o contato com os hóspedes é direto em alguns cargos. Quem trabalha em bar, por exemplo, serve no balcão ou circula pelos salões e deve estar sempre bem disposto e manter uma atitude cortês", sinaliza o gerente de recrutamento da Infinity Brazil, Marcelo Del Bel. Também é necessário estar preparado para passar por constantes treinamentos de segurança, que ocorrem pelo menos duas vezes na semana. Visando à temporada brasileira de cruzeiros, a agência está em fase de seleção de canditatos para 600 vagas disponíveis em todo o País. Destas, 300 estão reservadas para profissionais da Capital.
 
"O gaúcho é qualificado e tem sido pouco explorado, porque está longe dos grandes centros", considera Del Bel. O recrutador explica que, para a Infinity, que atende 11 companhias espalhadas pelo mundo, "é importante" aproveitar a mão de obra disponível em Porto Alegre e prospectar novos locais de seleção, como cidades da Serra. As oportunidades de emprego em alto mar atendem a diversos perfis, para suprir vagas em restaurante, cozinha, entretenimento, limpeza, recepção e vendas. Para participar do processo seletivo, é necessário realizar o cadastro no site da agência (infinitybrazil.com.br). "Em caso de aprovação, o candidato receberá um e-mail com a convocação para a entrevista, que será presencial, em Porto Alegre, nos dias 5 e 6 de agosto", informa. "Oferecemos um grande leque de oportunidades e assim conseguimos atender todos os perfis de candidatos. Eles têm a chance de atingir seus mais diversos objetivos profissionais, além de conhecer diversos lugares e diferentes culturas."
 
Jovens são candidatos em potencial para desempenhar as várias funções nos navios
 
Fluência em inglês, energia para trabalhar duro e disposição para se relacionar com todo o tipo de turista são características básicas para quem pretende trabalhar em cruzeiros. "Para os jovens, é uma oportunidade de conhecer vários lugares do mundo e de se capacitar para voltar com um pique acima da média do mercado", avalia o diretor da Operadora de Turismo gaúcha Clipper Travel, Ricardo Fernandes. "Normalmente, jovens universitários procuram empresas de recrutamento para trabalhar em navios. Muitos são selecionados, mas antes passam por diversos testes e treinamentos até serem contratados."
 
Somando duas experiências como instrutora esportiva em transatlânticos, a gaúcha de Porto Alegre Maribel Flach (30 anos), investiu na empreitada logo após um intercâmbio universitário. Na época, recebeu o salário mensal em euros e conseguiu economizar o suficiente para voltar ao Brasil com uma boa reserva financeira. Ela afirma que o fundamental para assumir uma vaga em alto mar é ter capacidade para se adequar a regras. "Vi muito brasileiro desistindo da missão."
 
No período em que trabalhou em dois cruzeiros (de 2009 a 2011), conviveu com mil tripulantes, cerca de 3,8 mil passageiros por semana, conheceu diversos países e fez "amigos para a vida inteira".
 
Entre uma temporada e outra, ambas de oito meses, Maribel descansou cerca de 40 dias, o que considera pouco. Atualmente atuando com operação de teatro, ela recorda que foi "muito difícil" voltar à rotina no Brasil: além de estranhar o idioma, demorou um pouco para se recolocar no mercado, porque entrou em choque de realidade.
 
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