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27/12/2018 - 08h51

Transporte por navios em portos do país cresce 27,6%

Fonte: O Globo
 
Expansão da cabotagem no terceiro trimestre reflete busca por alternativas ao frete tabelado. Setor reclama de tributação


 
Uma das alternativas às estradas, a cabotagem já é impulsionada pelas consequências da greve dos caminhoneiros e do tabelamento do frete. O volume de cargas transportadas no terceiro trimestre foi 27,6% superior ao mesmo período do ano passado, segundo números da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac). O dado considera apenas cargas destinadas ao mercado doméstico. Isso consolida a tendência de crescimento que vem ocorrendo nos últimos anos. O número de contêineres transportado pela cabotagem cresceu 11,7% ao ano entre 2008 e 2017.
 
— Não podemos ficar reféns do tabelamento de frete. O setor cafeeiro olha a cabotagem como alternativa importante, já que temos um consumo interno fortíssimo — disse Nelson Carvalhaes, presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
 
Para Cleber Lucas, presidente da Abac, “a ficha dos embarcadores caiu” depois da greve e do tabelamento. Segundo Lucas, o setor será capaz de absorver o crescimento da demanda, mas ele reclamou da interferência do governo na competitividade entre os modais.
 
— O modal rodoviário ganhou tabelamento de frete, redução do preço do diesel e desoneração da folha, promovendo uma competitividade assimétrica. Enquanto isso, o governo nunca teve uma política de Estado para a cabotagem — criticou.
 
Uma antiga demanda do setor ainda não resolvida é a tributação do “bunker” (combustível de navegação). Enquanto armadores estrangeiros abastecem no Brasil sem pagar imposto, a cabotagem brasileira paga PIS/Cofins e ICMS.
 
Transição gradual
 
Segundo Cláudio Frischtak, sócio da consultoria Inter.B, dada a antiguidade da concentração em caminhões, a transição para uma matriz de transporte menos dependente deles só poderá ser gradual e dependerá de mudanças regulatórias.
 
Para Frischtak, uma das medidas cruciais para a mudança de modelo seria permitir às ferrovias adotar o modelo de autorização, não apenas o de concessão, como já acontece com portos privados.
 
— Assim, o governo deixaria o mercado controlar o preço. Isso permitiria a construção das chamadas “short lines” (ferrovias menores), já que o grande gargalo ferroviário no Brasil é a última milha. Nos EUA, tem ferrovias desse tipo sendo operado até por famílias — contou, acrescentando que, no Senado, tramita projeto de José Serra (PSDB-SP) que propõe justamente isso.
 
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