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07/10/2015 - 03h13
Triunfo vai mudar perfil de terminal previsto para Santos
Fonte: Valor Econômico


A Triunfo Participações e Investimentos está à procura de um sócio para implantar um terminal de uso privado (TUP) no estuário de Santos, autorizado pela Secretaria de Portos (SEP) na segunda-feira (28). Mas a companhia vai mudar o perfil da instalação, que seria para movimentação de minério de ferro e agora deverá agregar outras cargas, principalmente grãos.
“O porto de Santos carece de uma estrutura moderna e atualizada para grãos e há demanda para isso. Hoje Santos perde essa carga para outros portos”, disse o presidente da Triunfo, Carlo Bottarelli, em entrevista ao Valor.
A ideia da Triunfo é ter como sócio o próprio dono da carga a ser escoada ou uma trading, sem exposição a equity, repetindo no TUP de Santos o modelo da Portonave, seu TUP para contêineres em Navegantes (SC). O projeto de Santos já tem licença prévia.
“Após a assinatura do contrato de adesão com a SEP vamos agora buscar a licença de instalação e o sócio. Com o sócio definido, partimos para a equação financeira”, disse o executivo.
A área onde o TUP será construído é propriedade da Triunfo. São 190 hectares localizados entre as ilhas Barnabé e Bagres, fora do porto público de Santos. O local pode ser acessado por rodovia e ferrovia.
Quando adquiriu a gleba a intenção da Triunfo era destinar o terminal à movimentação de granéis sólidos, nomenclatura genérica que abarca uma série de cargas. Mas em 2012 a Triunfo se associou à Vetorial, dona de minas em Corumbá (MS), e à concessionária de ferrovias ALL para criação da Vetria Mineração, um projeto integrado com mina, a ferrovia e o porto destinado à exportação de minério de ferro por Santos.
Como o projeto não vingou – a Vetria está em processo de dissolução – os ativos voltarão para as empresas de origem. “Ainda estamos vocacionando a área, mas devemos voltar ao projeto original, que nasceu para granéis sólidos. Aí cabem grãos, celulose, fertilizantes”, listou Bottarelli, destacando que não está descartada a movimentação também de minério de ferro, pelo contrário. “Tudo vai depender do sócio que encontrarmos.
O projeto terá de ser adaptado para atender às novas cargas. Por exemplo, o TUP aprovado movimentaria 25 milhões de toneladas por ano de minério, o que será mudado devido à diferença entre as densidades do minério e demais cargas que serão escoadas pelo local. Também o sistema de estocagem será refeito, assim como o investimento necessário. O TUP da Vetria consumiria R$ 2,5 bilhões.
A alteração do projeto, a mudança no perfil de cargas, a modificação do cronograma de investimentos e a transferência da titularidade do contrato de adesão da Vetria para a Triunfo são permitidas pela agência reguladora do setor, a Antaq. Mas o procedimento praticamente equivalerá a uma nova outorga, explicou ao Valor o diretor-geral da Antaq, Mário Povia.
A agência reguladora também fará um “novo anúncio público e reanálise da viabilidade locacional do TUP”, o que vai exigir mais tempo para conclusão.
Pela legislação, a Triunfo tem até seis anos para fazer o investimento – três anos renováveis por igual período. Bottarelli avalia que, apesar de todas as mudanças que terão de ser feitas, o prazo é suficiente. Ele se fia no exemplo da Portonave, cujo contrato de adesão foi assinado em 2001 e a operação teve início em 2007.