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16/07/2018 - 04h38
UGT promove feirão de emprego para aumentar sindicalizados
Fonte: Extra
Após fim do imposto sindical, central busca alternativas para elevar receitas
Na tentativa de ampliar as receitas sindicais, que caíram fortemente depois do fim do imposto sindical, determinado pela nova legislação trabalhista que entrou em vigor em novembro, a União Geral dos Trabalhadores (UGT) passará a fazer o processo seletivo de contratação de empregados para as empresas do comércio e, em troca, tentará sindicalizar todos os novos funcionários selecionados. De acordo com Ricardo Patah, presidente da UGT, a novidade será implementada primeiramente no sindicato dos comerciários, categoria com a qual a UGT já fez parcerias com as empresas, num processo que deve selecionar 2 mil novos empregados a partir desta segunda-feira.
— Essa é uma consequência da reforma trabalhista, que extinguiu o imposto sindical. Convencendo o trabalhador a se sindicalizar e conseguindo fazer isso em massa, melhora a nossa situação — afirmou. A sindicalização dos comerciários de São Paulo custa R$ 30 por mês.
Segundo Patah, o empregado sindicalizado tem acesso a benefícios como serviços médicos e de dentista, descontos em universidades e acesso a lazer. A ideia é estender o modelo para os cerca de 1.330 sindicatos da central.
— Mas o mais importante é fortalecer o sindicato para que a gente faça boas negociações para a categoria. Depois da reforma trabalhista, o negociado prevalece sobre o legislado, portanto um bom acordo é vital para os trabalhadores — disse ele, observando que a sindicalização não será obrigatória no feirão.
Segundo o advogado Otávio Pinto e Silva, sócio trabalhista do escritório Siqueira Castro e professor na Universidade de São Paulo, não há nenhuma irregularidade em o sindicato colaborar com as empresas na busca de mão de obra qualificada. Ele diz que o esforço também é válido no sentido de garantir maior filiação sindical, diante das mudanças trazidas pela Reforma Trabalhista, entre elas o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical.
— Se as empresas têm vagas, é natural que o sindicato faça essa intermediação e também trabalhe pela qualificação profissional de seus filiados. O que o sindicato não pode fazer é forçar o trabalhador a se sindicalizar para que consiga o emprego. Isso fere uma cláusula da Constituição que trata da liberdade da filiação sindical. É o trabalhador que tem que tomar a decisão se quer ou não se sindicalizar. Trata-se de um ato de escolha — disse Silva.