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15/05/2015 - 04h59

Ultracargo admite vazamento dias antes de incêndio em Santos, SP

Fonte: G1
 
Comissão se reuniu pela 1ª vez com representantes da Ultracargo. Incêndio aconteceu no começo de abril em tanques químicos.

 
A Comissão Especial de Vereadores de Cubatão (SP) se reuniu na manhã desta quinta-feira (14) com representantes da empresa Ultracargo, responsável pelos tanques químicos que pegaram fogo, durante nove dias, na área industrial de Santos no começo de abril deste ano. Os representantes da empresa falaram pela primeira vez sobre o assunto e admitiram que houve um vazamento no local uma semana antes do acidente.
 
O vereador Severino Tarcísio da Silva (PSB), o Doda, que preside a comissão, começou lembrando que a reunião tem a intenção de discutir as causas, consequências e soluções a serem implementadas em decorrência do incêndio ocorrido no bairro da Alemoa. Na reunião estavam presentes dois representantes da Ultracargo, além de três advogados da empresa. Representantes da Associação de Pescadores de Cubatão, do Corpo de Bombeiros, da Cetesb, do Ministério da Pesca e da Defesa Civil acompanharam a reunião. Doda lamentou que secretários de Cubatão, que foram convidados para a reunião, não compareceram na Câmara e, por isso, não houve a participação de representantes da prefeitura.
 
O gerente da Ultracargo, Fernando Coutinho, apresentou os detalhes do incêndio e disse que este foi primeiro da empresa em grandes proporções em 48 anos de operações no Brasil, sendo 13 em Santos. "A empresa atuou imediatamente e seguiu os procedimentos que deveria", disse ele sobre os primeiros minutos do incêndio.
 
Sobre as investigações e as causas do incêndio, o representante se limitou a dizer que a empresa criou várias comissões que estão ajudando nas investigações. "A empresa continua dando o apoio a investigação que está sendo coordenada pela polícia técnica. A área onde aconteceu o acidente está isolada. Não temos a informação da conclusão da investigação. Isso vai ser um aprendizado não só para a Ultracargo, mas também para toda a indústria", afirmou Coutinho. Ele admitiu que 10 dias antes do incêndio houve um vazamento na empresa, que foi contido e a área totalmente limpa. "Não existe nenhuma correlação de um fato com o outro", contou.
 
Em relação os prejuízos ambientais, o representante esclareceu que a empresa trabalhou para minimizar os impactos e ainda está trabalhando no controle das áreas atingidas.
 
Os vereadores buscaram, por várias vezes, questionar os representantes da empresa sobre o prejuízo dos pescadores regionais. Segundo a Cetesb, cerca de nove toneladas de peixes morreram após a contaminação das águas. Os pescadores que estavam presentes na reunião confirmaram que não receberam apoio da empresa e que estão com grande prejuízo financeiro já que estão há mais de um mês sem condições de trabalhar. O representante disse que a Ultracargo está avaliando o que será feito com relação ao assunto.
 
"Viemos para discutir os problemas dos pescadores. Eu fiquei surpresa que falaram que o Ministério da Pesca não foi procurar a empresa. Estamos aqui para dar o apoio necessário para essas pessoas", disse a chefe do escritório do Ministério da Pesca da Baixada Santista, Diana Gurgel Cavalcante. Ela sugeriu que a empresa indenizasse os pescadores até o meio ambiente estar propício a pesca.
 
Ouvindo a questão dos pescadores, o representante da Ultracargo disse que irá atrás de informações sobre a situação para poder dar uma resposta. Porém, não estipulou nenhum prazo para isso. "Os pescadores estão apavorados. Não podem trabalhar. Nos disseram que os peixes estão contaminados e, por isso, precisamos de ajuda urgente", desabafou Santina Gonçalves Barros, representante da Colônia de Pescadores José Bonifácio, e esposa de um pescador de Cubatão durante o pronunciamento.
 
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