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03/02/2020 - 12h26
Um Porto com muita história
Fonte: Jornal da Orla
Confira a história dos 128 anos do Porto de Santos

Confira a história dos 128 anos do Porto de Santos

Antes mesmo de haver uma cidade e uma santa casa, já existia um ponto de atracação de embarcações. Desde os primórdios até hoje em dia, o Porto de Santos exerce um papel fundamental na história do país. Da época dos trapiches rudimentares do século 16 aos dias atuais, com sua modernas instalações; dos tempos em que os carregadores levavam pesadas sacas de café para o interior dos navios, passando pela época dos guindastes, à era dos potentes portêineres. Não importa o período histórico: Santos sempre foi fundamental para o comércio exterior brasileiro. Acompanhe nesta linha do tempo os episódios mais marcantes do principal porto do Brasil:
O que aconteceu de 1542 a 1867:
1542




Fundador da Vila de Santos, Braz Cubas transfere o atracadouro de navios até então situado na Boca da Barra (atual Ponta da Praia) para o canal do estuário (hoje Valongo), local de águas calmas e mais protegidas contra ataques de piratas. Braz Cubas fazia parte da comitiva liderada por Martim Afonso que em 1532 fundou a Vila de São Vicente.
1795
Registrada a primeira exportação de café em grãos por meio do Porto de Santos. Em 1836, o café torna-se o produto brasileiro mais exportado, superando a cana-de-açúcar.
1827


No dia 7 de fevereiro de 1827, foi inaugurado o Aterrado de Cubatão, a ligação seca entre a cidade de Santos e o pé da Serra do Mar, onde se iniciava a Calçada do Lorena, uma (para a época) moderna via entre a Baixada e o Planalto paulista. Antes do Aterrado, o único meio de transportar mercadorias de/até a Ilha de São Vicente era por barco.
1847


Com a publicação em 11 de setembro do Decreto Imperial nº 531, assinado pelo Imperador, D. Pedro II, foi criada a Capitania do Porto de Santos. Funcionava no prédio do antigo Arsenal de Marinha, em frente à Igreja do Carmo (onde local está a Praça Barão do Rio Branco). Em 1889, com a Proclamação da República, passou a se chamar Capitania dos Portos.
1867


Começa a operar a estrada de Ferro São Paulo Railway e o transporte de cargas, que levava dias, passa a levar apenas quatro horas. A primeira ferrovia do mundo começou a funcionar em 1825; os cafeicultores paulistas começaram a planejar uma ligando as plantações ao portoem 1839 mas as a estrada de ferro São Paulo Railway só começou a ser feita em 1860.
De 1888 a 1957
Confira o que aconteceu no Porto de Santos de 1888 a 1957:


1888
Incentivados por Francisco de Paula, os cariocas Cândido Gaffrée e Eduardo Guinle ganham a concorrência para exploração do Porto por noventa anos.
1890
Assinado, em 7 de novembro, o Termo de Concessão para a Companhia Docas de Santos (CDS).
1892
Concluídas as obras dos 260 metros de cais, onde atracou, em 2 de fevereiro, o navio inglês Nasmith.
1897
Ocorre a primeira greve do porto de Santos, cujo estopim foi a morte de um trabalhador.
1908
Entre 9 de setembro e 6 de outubro de 1908 ocorreu a primeira grande greve do Porto de Santos: submetidos a jornadas de até 15 horas, os carregadores de sacas de café exigiram cumprir oito horas. No ápice do movimento, o porto chegou a ficar completamente paralisado. As manifestações levaram 7 mil trabalhadores às ruas, mas a repressão também foi forte, resultando em 8 mortes, mais de uma centena de feridos e 800 presos. A jornada máxima de oito horas só foi implantada no Brasil pela Constituição de 1937.


Iluminado pelos primeiros raios solares da manhã de 18 de junho de 1908, o navio Kasato Maru atracou no cais do Armazém 14, trazendo 781 japoneses, após 51 dias de navegação. Foi o início da imigração japonesa no Brasil.
1909
O porto possuía 4.720 metros de cais, 26 armazéns internos e 15 externos, 1 armazém frigorífico, 23 pátios cobertos, 2 tanques de óleo combustível e 38,3 quilômetros de linha férrea. Neste ano, foram movimentadas 787.856 toneladas de café — 95,8% do total de cargas.
1910


Inaugurada, em 10 de outubro, a usina hidrelétrica de Itatinga. Sua capacidade (60.000 cavalos de potência) era suficiente para atender às necessidades do Porto e das cidades de Santos e Guarujá na época.
1929


Construção de um cais para a movimentação de inflamáveis e combustíveis na Ilha Barnabé.
1945
O Porto de Santos possuía 5.214 metros de cais, 128 guindastes, seis embarcadores com capacidade para 2.000 sacas/hora, silos para granéis, esteiras transportadoras, seis empilhadeiras fixas, tanques de combustíveis líquidos e além de rebocadores, dragas, ferry-boats, lanchas, tratores, vagões e locomotivas.
1947
No dia 22 de abril de 1947, é inaugurada a Via Anchieta, juntamente com o então governador de São Paulo, Adhemar Pereira de Barros, que completava 46 anos de idade na mesma data.
1954
Porto movimentou cerca de 8 milhões de toneladas, o dobro de 1944.
1955
Com a inauguração da Presidente Bernardes, em Cubatão, aumenta a movimentação de granéis líquidos, o que faz a tonelagem movimentada em Santos dobrar.
1957


Com a instalação do setor automobilístico na região do ABC, aumentam as importações de equipamentos e insumos.
De 1964 a 1993
Confira o que aconteceu no Porto de Santos de 1964 a 1993:


1964


Durante 180 dias, o navio Raul Soares ficou ancorado no porto de Santos, servindo como prisão para dissidentes da ditadura militar. Considerados “subversivos”, os presos eram submetidos a torturas físicas e psicológicas em calabouços que, por ironia, foram batizados com os nomes de boates da boca do Lixo santista: El Marocco, Night and Day e Casablanca. O navio-prisão só foi desativado em 23 de outubro daquele ano.
1968
O complexo santista contava com 7.034 metros, mais armazéns e 91 tanques combustíveis. As poucas empilhadeiras fixas foram substituídas por 270 empilhadeiras automotivas, o número de vagões subiu de 180 para mais de 400 e os guindastes hidráulicos foram substituídos por elétricos.
1968
Inaugurado o primeiro terminal privativo, o da Cosipa, com cais de 300 metros de extensão. Em 1971, começaram a funcionar os da Ultrafértil e Dow Química.
1974


Na noite de 8 de janeiro, o cargueiro Ais Gioris estava atracado no cais santista quando começou a pegar fogo. Para evitar que o incêndio se alastrasse, a embarcação foi rebocada até o meio do canal do estuário, onde queimou e afundou. Os restos do navio ficaram no lugar, atrapalhando a navegação, até 18 de janeiro de 2013, quando os últimos destroços foram retirados.
1980
Em 8 de novembro, com o fim da concessão da Companhia Docas de Santos (CDS), a administração do porto passou para a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), sociedade de economia mista que, até março de 1990, permaneceu sob controle da Empresa de Portos do Brasil S.A. (Portobras).
Em seus 90 anos de atuação, a CDS movimentou quase 400 milhões de toneladas de cargas. Entregou à Codesp 11.837 metros de cais, 53 armazéns, 96 tanques de combustíveis e químicos, ferrovia, a usina elétrica de Itatinga, pátios e 13.357 funcionários.
1981


Em agosto, foi inaugurado na margem esquerda, em Guarujá, o Terminal de Contêineres (Tecon). Administrado inicialmente pela Portobras, foi operado pela Codesp até 1997, quando foi licitado e concedido, por 25 anos, renováveis por mais 25 anos, pela Santos Brasil. De 248 mil TEUs em 1998, a movimentação subiu para 1,8 milhão em 2019.
1984


Em 1º de setembro, foi inaugurado com um acervo de 5 mil itens, o Museu do Porto. E isso só foi possível porque, cinco anos antes, o engenheiro Antônio Carlos da Mata Barreto impediu que diversos documentos e itens da CDS fossem jogados no lixo ou incinerados.
1989


Em 22 de fevereiro, após 22 dias de greve geral, o então presidente Fernando Collor de Mello recuou e suspendeu a demissão de 5.372 trabalhadores portuários, anunciada semanas antes. A cidade inteira parou em solidariedade aos trabalhadores, que haviam sido informados da perda do emprego por telegrama.
1993
Em 25 de fevereiro é promulgada a Lei dos Portos (8.630/93), que entre outra medidas criou o Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo), para gerenciar a força de trabalho, e o Conselho de Autoridade Portuária (CAP).
De 1994 a 2020
Confira o que aconteceu no Porto de Santos de 1994 a 2020:


1994
Lançamento do Programa de Arrendamentos e Parcerias do Porto de Santos (Proaps), que viabilização concessões de áreas à iniciativa privada. Estima-se que entre 1995 e 2019, as arrendatárias realizaram investimentos de em torno R$ 3 bilhões.
1996


Obra dos artistas plásticos Vito D´Alessio e Juvenal Irena, o Monumento ao Trabalhador Portuário foi inaugurado no dia 6 de setembro, onde havia a Praça Praça Silvério de Souza, próximo ao Armazém 4 esterno da Codesp. Por conta de concessões de terminais a empresas privadas e da construção da avenida Perimetral, a escultura de 12 metros de altura e duas toneladas foi transferida de local várias vezes (chegou a ficar espremida entre dois armazéns) até ser colocada no local onde hoje se encontra — numa curva da avenida Perimetral próximo à rua Xavier Pinheiro.
1997
Codesp deixa de operar cargas, limitando-se a ser autoridade portuária.
2000


Quando a Codesp deixou o controle da malha ferroviária do porto para a iniciativa privada, em 28 de junho, menos de um milhão de toneladas de cargas eram transportados por trilhos; em 2016, este valor saltou para 30 milhões — 26,3% do volume total de mercadorias que chegam ou saem do complexo santista.
2007


Iniciadas as obras do primeiro trecho da Avenida Perimetral, com a construção de viadutos no trecho Paquetá-Outeirinhos.
2008
No dia 9 de fevereiro, o terminal de passageiros recebeu o maior número de navios num só dia: foram nove navios, que transportaram 37 mil passageiros. A temporada que teve a maior quantidade de passageiros foi a de 2010/2011: entre 8 de outubro e 20 de maio foram cerca de 1,2 milhão de pessoas, distribuídas em 22 navios, que fizeram 310 escalas.
2013
Em 5 de maio, é inaugurado o primeiro trecho da avenida Perimetral no lado de Guarujá, um viaduto sobre a linha férrea. A obra acabou com o cruzamento onde as carretas precisam ficar paradas esperando a passagem dos trens.
Promulgada em 5 de junho de 2013 pela então presidente Dilma Rousseff, a Nova Lei dos Portos (12.815/2013) altera o marco regulatório do setor portuário, esvaziando ainda mais a autonomia da Codesp e centralizando no governo federal as decisões mais importantes, como fiscalização de contratos de arrendamento, obras e operações portuárias.
2017


Em 14 de maio, o porto recebeu o maior navio de sua história: o Hyundai Loyalty, com 340 metros de comprimento, 45,6 metros de largura, 14,5 metros de calado e capacidade para 8.600 TEUs.
2017


Na manhã de 28 de junho de 2017, atracou no terminal da Embraport o Cape Sounio, o navio com maior capacidade de carregamento que já passou pelo complexo santista: 11 mil TEUs. Mas ele fez apenas previstos 125 movimentos de descarga e 1.975 de embarque, totalizando 2.100 TEUs.
2018


No dia 19 de agosto, em operação no navio MSC Lorettha, foi batido o recorde de movimentação de contêineres: 243,58 MpH (Movimentos por Hora). Foram 1.632 contêineres em 6 horas e 42 minutos, o que equivalente a quatro contêineres por minuto.
2019


No dia 24 de novembro, atracou no Terminal Marítimo do Guarujá (Termag) o Panamax Breeze, trazendo a maior carga transportada um único navio: 72 mil toneladas de sulfato de amônio.


O Porto de Santos registrou a maior movimentação de sua história: 134,010 milhões de toneladas de carga geral e 4,165.248 TEU (medida padrão para contêineres de 20 pés). O número de navios também foi recorde: 4.842.
2020
No dia 29 de janeiro, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, assina contrato de concessão, por 25 anos, de mais uma área no porto, que rendeu à União R$ 112,5 milhões em outorga. A empresa também vai investir R$ 219,milhões em ampliações e melhorias.






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