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20/01/2016 - 03h29

Usiminas inicia demissões de funcionários em Cubatão, SP

Fonte: G1/Santos
 
Segundo o sindicato, empresa antecipou o prazo das demissões. Usiminas informou que está remanejando funcionários.

 
Vários funcionários da Usiminas foram demitidos, na manhã desta terça-feira (19), em Cubatão (SP). O sindicato da categoria ainda não conseguiu ter acesso a quantidade de trabalhadores afetados. A demissão de 4 mil funcionários da empresa foi anunciada em novembro do ano passado mas, segundo o sindicato, a empresa antecipou o prazo porque tinha prometido iniciar as demissões somente em fevereiro.
 
Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Baixada Santista, Florêncio Resende de Sá, o 'Sassá', vários funcionários foram demitidos nesta terça-feira mas ainda não existe um balanço de quantos trabalhadores foram mandados embora. Eles foram encaminhados ao setor de Recursos Humanos e fizeram os exames demissionais.
 
"Elas (demissões) estão acontecendo. A gente não pode entrar lá, a Usiminas não permite. Tinha uma previsão de começar somente em fevereiro, mas eles anteciparam. O forno não funciona desde o começo de janeiro. Eles decidiram que não retomam mais o forno", disse ele.
 
De acordo com Sassá, ainda não se sabe quais os setores que foram atingidos pelas demissões. "Eles não tiveram critério. Eles tinham se comprometido em uma reunião com o Ministério Público que começariam pelos aposentados, mas a informação que eu tenho não é essa. Não sei qual o critério que eles estão utilizando", falou. O Sindicato dos Metalúrgicos da Baixada Santista deve tomar outras medidas para tentar coibir novas demissões.
 
Outro lado
 
Em nota, a Usiminas disse que iniciou o desligamento dos empregados da Usina de Cubatão  como consequência do ajuste em sua capacidade produtiva. Para minimizar o impacto da medida e reduzir o número de demissões, a empresa realizou um estudo e vai redirecionar cerca de  300 empregados para atividades antes terceirizadas. Com isso, o número de empregados diretos a serem desligados foi reduzido para um total de 1800.
 
Para os desligamentos, que seguem os cronogramas de desativação dos equipamentos, estão sendo priorizados empregados que já possuem alguma renda, como aposentados, e trabalhadores já em condições de se aposentar.
 
Depois de nove reuniões de negociação com os sindicatos e o Ministério Público do Trabalho, a empresa também decidiu oferecer um conjunto de benefícios extras ao empregados desligados, como manutenção dos planos de saúde e odontológico por 3 a 6 meses; opção por auxílio-alimentação por até 4 meses ou retorno de férias correspondente a 20 dias de trabalho; pagamento de contribuição previdenciária por três meses; seguro de vida por até quatro meses; prioridade na recontratação quando da reativação dos equipamentos e treinamento para recolocação profissional, além de cartas de recomendação.
 
O mercado de aço brasileiro despencou 26% em apenas um ano, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Aço Brasil. Diante desta crise sem precedentes, a Usiminas disse que não teve alternativa senão ajustar sua capacidade de produção à realidade do mercado.
 
Caso
 
Em balanço divulgado no final de outubro do ano passado, a companhia teve prejuízo líquido de R$ 1,042 bilhão no terceiro trimestre de 2015, o quinto resultado trimestral negativo consecutivo e que veio mais fraco que a média de expectativas do mercado. Em dezembro, a Usiminas iniciou a desativação de um dos setores da coqueria, responsável pela produção da matéria-prima para construção do aço.
 
Segundo números da prefeitura de Cubatão, cerca de oito mil trabalhadores podem perder seus empregos, entre funcionários da Usiminas e de empresas que prestam serviços para a siderúrgica.
 
A prefeita Márcia Rosa (PT) chegou a afirmar, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista (Condesb), que a cidade "vai fechar" caso a Usiminas paralise suas atividades. Trabalhadores da empresa, sindicalistas e a própria prefeita fizeram diversas manifestações em Cubatão para evitar as demissões da Usiminas.
 
Durante reunião com o presidente da empresa, a prefeita recebeu a notícia que as demissões poderiam ser adiadas até janeiro de 2016.
 
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