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30/10/2015 - 03h23

Usiminas vai suspender produção de aço em Cubatão e pode demitir 8 mil

Fonte: G1
 
Medida pode ocasionar a demissão de 8 mil pessoas, diz sindicato


 
A Usiminas informou hoje que vai suspender temporariamente a produção de placas de aço em sua usina de Cubatão, em São Paulo. Segundo o comunicado da companhia, o processo de desativação será gradual e envolverá as áreas de sinterizações, coquerias, altos fornos (um dos quais já tinha suas atividades paralisadas desde maio de 2015) e aciaria.
 
— Como medida de adequação à condição de mercado que tem se alterado constantemente, paralisamos as operações de dois altos-fornos, um em cada usina, e do laminador de chapas grossas, em Cubatão. E agora estamos dando um passo maior para adequação: num prazo estimado entre três e quatro meses, vamos desativar temporariamente todas as áreas primárias de Cubatão; estamos falando das sinterizações, coquerias, o alto-forno restante e a aciaria. Desta forma, as operações da Usina de Cubatão se concentrarão nas áreas de laminação a quente e a frio e no terminal portuário —, disse o presidente da Usiminas, Rômel de Souza durante a conferência de divulgação de resultados da companhia. — Assim, vamos colocar a Usiminas em um novo patamar de escala e produtividade. Estamos fortalecendo a capacidade competitiva da Usiminas com responsabilidade, coragem e ação.
 
Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Baixada Santista, Florêncio Resende de Sá, essa paralisação temporária da produção de placas pode acarretar na demissão de 8 mil pessoas.
 
— Eles ainda não oficializaram quando devem começar a paralisação da produção de placas, mas a companhia já vinha sinalizando que poderia fazer isso nas últimas reuniões. Mas, isso pode representar a demissão de 8 mil funcionários entre terceirizados e próprios. O desemprego na região, porém, pode ser maior, em torno de 25 mil pessoas. A Usiminas tem muitos contratos com mais de 100 empresas—, disse Sá, acrescentando que ao todo a empresa emprega 10 mil funcionários na unidade, sendo 5,5 mil indiretos.
 
A informação da suspensão da produção aconteceu no mesmo dia em que a companhia divulgou um prejuízo de R$ 1,04 bilhão no terceiro trimestre deste ano. Segundo a Usiminas, no segundo trimestre as perdas chegaram a R$ 780,8 milhões. A receita líquida foi de R$2,4 bilhões, 9,4% inferior à do segundo trimestre, que foi de R$2,7 bilhões. A queda no faturamento aconteceu, de acordo com a empresa, devido ao declínio de 11,6% no volume de vendas de aço no mercado interno e ao recuo de 35,8% no volume de vendas de minério de ferro.
 
- O comunicado saiu um dia após a sentença de dissídio coletivo que obrigou a empresa a conceder o INPC de 8,34%, mais um abono de R$ 1,6 mil e a recontratação de cerca de 150 funcionários. Além disso, os cerca de 4,5 mil funcionários da Usiminas conquistaram a estabilidade de emprego até o dia 23 de dezembro. Os cortes, com a suspensão da produção de aço, devem atingir os terceirizados no primeiro momento —, disse Sá.
 
Esse ano, segundo o sindicalista, a usina deve produzir cerca de 2 milhões de toneladas de aço. A capacidade instalada na unidade é de cerca de 4,5 milhões de toneladas. Sá acrescentou que somente neste ano, com desligamento de um alto forno, mais de 4 mil pessoas deixaram de trabalhar na usina de Cubatão.
 
— Muitos desses empregados de empresas que prestavam serviço para a usina. Em maio, a Usiminas encerrou 20% desses contratos —, disse Sá.
 
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