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18/12/2018 - 01h38
"Vamos rever todas as políticas de emprego", diz futuro secretário
Fonte: Valor Econômico
O secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do futuro Ministério da Economia, Carlos da Costa, disse nesta segunda-feira que pretende "rever todas as políticas" de emprego e manter "diálogo constante" com a iniciativa privada para não cair na "arrogância fatal" de achar que sabe de tudo.
Falando para uma plateia com representantes da indústria, em Brasília, Da Costa afirmou que a economia brasileira poderá crescer 5% ao ano com ganhos de produtividade e "se fizermos um bom trabalho juntos". Mas isso não significa, segundo ele, distribuir subsídios. "Estamos começando um outro caminho".
Para o futuro secretário, o capital humano é um dos gargalos para a competitividade no Brasil e é preciso reduzir as distorções que deixam muitos trabalhadores - principalmente jovens - desempregados por longo período.
Além do capital humano, ele mencionou a melhoria do ambiente de negócios, desobstrução das barreiras à concorrência e desenvolvimento da infraestrutura como fatores-chave para aumentar a produtividade. Mediante evoluções nessas frentes, defendeu que o PIB potencial não está limitado a um crescimento de 2% ou 2,5%. Crescer 5% ao ano, acrescentou, não é um "número estratosférico".
Da Costa lembrou que, em 1980, um trabalhador brasileiro produzia em média 40% de seu equivalente americano em igual número de horas. Hoje, a produtividade do trabalho no Brasil representa 23% da dos Estados Unidos. "Para mim, esse indicador retrata a falência de um modelo."
A Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, uma das sete na estrutura do Ministério da Economia, terá indicadores para acompanhamento da evolução do país nos próximos quatro anos. Da Costa disse que programas destinados ao aumento da produtividade estão dispersos atualmente por 51 órgãos diferentes. "É uma falta de foco e efetividade", lamentou.
De acordo com o futuro secretário, esse processo exige maior proximidade com a indústria e com o setor privado como um todo. "Vamos ter um constante diálogo com o setor privado. A agenda liberal começa com humildade. Não temos nem 1% da informação que o setor produtivo tem", afirmou Da Costa. "Sem esse diálogo, nós nos tornamos arrogantes. É o que [o economista austríaco] Friedrich Hayek chamava de arrogância fatal."
Ajuste fiscal
Para ele, o ajuste fiscal é condição necessária ao crescimento mais robusto da economia. Na frente do atual secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, que continuará no cargo, ele elogiou a gestão das finanças públicos pelo governo Michel Temer e ressaltou como isso permitiu baixar as taxas de juros.
"Hoje as taxas ainda estão elevadas, mas vêm caindo graças ao trabalho recente, muito bom, de ajuste fiscal pelo governo Temer. Eles têm feito o trabalho de limpar o caminho para nós construirmos o caminho da prosperidade", disse Da Costa.
Embraer
Questionado sobre o anúncio da compra de parte da Embraer pela Boeing, cujos termos aprovados pelas duas companhias foram anunciados nesta segunda-feira, Da Costa preferiu não entrar em detalhes.
"Nossa indústria nacional tem demonstrado que, apesar de todos os percalços, consegue continuar sobrevivendo. O que precisamos agora é dar um salto de competitividade global, fazer com que as melhores práticas internacionais sejam internalizadas. E esse é um exemplo de algo que pode trazer isso. Ou não. Precisamos avaliar com cuidado", afirmou.
Nova secretaria
A estrutura da nova secretaria herdará boa parte do atual Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic). Ficará ainda com a Secretaria de Políticas Públicas para Emprego, hoje no âmbito do Ministério do Trabalho.
Da Costa já anunciou os nomes de dois auxiliares. César Mattos, ex-conselheiro do Cade, comandará a Secretaria de Produtividade e Advocacia da Concorrência. Diogo Mac Cord, de saída da KPMG, vai assumir a Secretaria de Desenvolvimento da Infraestrutura.






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