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24/05/2013 - 02h41

Volume recorde de petróleo em Libra, na Bacia de Santos, levou à decisão de antecipar 1º leilão do pré-sal

Fonte: O Globo / RJ
 
 
O governo federal decidiu antecipar para a segunda quinzena de outubro, em vez de novembro, o primeiro leilão de petróleo do pré-sal sob o novo regime de partilha. Será oferecida a área de Libra, na Bacia de Santos, que, segundo estimativas recém-concluídas, pode ter reservas entre oito bilhões e 12 bilhões de barris de petróleo equivalente. Será a maior reserva já ofertada em um único leilão em todo o mundo. A decisão de antecipar o leilão ocorreu devido ao enorme potencial de Libra. Se confirmadas, as reservas de petróleo da área equivalem a 80% de todas as reservas provadas de petróleo do Brasil (15 bilhões de barris).
 
O petróleo em Libra é leve, considerado de ótima qualidade. Fontes do governo estimam que o leilão poderá render até R$ 9 bilhões em bônus de assinatura, três vezes mais do que os R$ 2,8 bilhões arrecadados na 11ª Rodada de Licitação de Petróleo e Gás, realizada na semana passada, e que foi considerada um sucesso.
 
Até US$ 500 bilhões em investimentos
 
Os investimentos no desenvolvimento de Libra podem variar entre US$ 250 bilhões até US$ 500 bilhões no longo prazo, segundo fontes do mercado.
 
O anúncio da nova data do leilão foi feito nesta quinta-feira pela diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard. Pela magnitude das reservas a serem ofertadas, ficou decidido que o leilão será em Brasília, com a presença da presidente Dilma Rousseff.
 
— Esse volume em Libra é completamente singular e inimaginável. Acredito que só empresas de grande porte participarão do leilão, incluindo as asiáticas — destacou Magda.
 
A estimativa das reservas em Libra resultou de pesquisas recentes feitas pela certificadora internacional CGC Veritas. As estimativas para Libra são o dobro das reservas no campo de Lula — antigo campo de Tupi, o primeiro descoberto do pré-sal e que motivou a mudança no marco regulatório e a criação do novo regime de partilha. Inicialmente, estimava-se reservas entre cinco e oito bilhões de barris em Tupi, o que se confirmou, já que a previsão atual é de seis bilhões de barris.
 
Segundo a diretora geral da ANP, devido ao porte de suas reservas, ficou decidido fazer uma oferta única da área de Libra. Por sua vez, o leilão de áreas nas bacias terrestres para gás, que seria feito em outubro, foi remarcado para novembro.
 
— Face ao porte do que temos, se faz absolutamente necessária a presença da presidente da República numa licitação como essa — destacou Magda.
 
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse nesta quinta-feira que a decisão de antecipar o leilão foi tomada para dar mais coerência aos pregões.
 
— Fizemos um agora de petróleo, faremos outro de petróleo e, por último, o de gás — disse Lobão.
 
Governo ficaria com até 74% do lucro
 
Para o consultor Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a decisão de antecipar o leilão de Libra é mais uma tentativa do governo de colher dividendos eleitorais.
 
— Esse último leilão (a 11ª Rodada) foi um sucesso. Então, o governo não pode correr o risco desse leilão da partilha ser um fracasso. Para assegurar o sucesso, colocaram o campo de Libra, que tem 12 bilhões de reservas. A motivação é tão política que o leilão vai ser em Brasília — disse Pires.
 
Segundo uma fonte do governo, a ANP está estudando novos critérios para o leilão do pré-sal. nesta quinta-feira, Magda adiantou que a empresa que oferecer o maior percentual do lucro à União será a vencedora. No regime de partilha, a companhia (ou consórcio vencedor) tem o lucro da atividade (depois de deduzidos investimentos e custos de produção) dividido com a União, que permanece sendo a dona do petróleo.
 
Pelas regras já conhecidas, a Petrobras será obrigatoriamente a operadora dos campos, com participação de pelo menos 30% nos consórcios.
 
— O que a ANP está estudando é qual será o percentual oferecido à União. A expectativa é que esse percentual deverá oscilar entre 73% e 74%. Assim, a petroleira só vai poder incorporar em seus ativos os 23% e 24% restantes da reserva — disse uma fonte do governo.
 
Magda explicou ainda que, enquanto não for criada a estatal PPS (Pré-Sal Petróleo SA), que coordenará os negócios no regime de partilha, a ANP poderá em seu lugar realizar todas as atividades necessárias para o andamento da licitação.
 
O ex-diretor-geral da ANP David Zylbersztajn lembrou que ainda não se sabe como será a operação do negócio no regime de partilha.
 
— Como funcionará operacionalmente o regime? As empresas que participarem do consórcio vão ser prestadoras de serviço? — perguntou.
 
Nesta quinta-feira, as ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da Petrobras recuaram 0,60%, a R$ 19,80. Para analistas, o desempenho das ações da Petrobras nesta quinta-feira não refletiram a antecipação do leilão do pré-sal para outubro. A queda foi influenciada pelo cenário externo e a retração da indústria na China.
 
— O impacto do leilão vai depender de como a Petrobras vai se articular com outras empresas e qual vai ser o dispêndio de caixa — disse a analista Luana Helsinger, da corretora GBM.
 
Para Adriano Pires, do CBIE, a obrigação de a Petrobras manter pelo menos 30% de participação em todos os blocos leiloados no regime de partilha pode virar um fardo:
 
— Pode ser um ônus, porque a Petrobras vai ter que conseguir dinheiro, gente e ter um gerenciamento bem maior.
 
Após o sucesso da captação recorde de US$ 11 bilhões, na semana passada, a maior emissão corporativa num mercado emergente, a Petrobras estuda uma emissão em euros neste ano, de acordo com o jornal britânico “Financial Times”. “Almir Barbassa, diretor financeiro da empresa, disse que o o grupo pode levantar mais US$ 5 bilhões em euros”, afirmou o jornal nesta quinta-feira.
 
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